
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Quando a sociedade brasileira imagina que a política chegou ao fundo do poço, a realidade mostra que, na verdade, não existe fundo do poço, mas um poço sem fundo, que aceita qualquer absurdo que se possa imaginar. Foi o que ocorreu nesta segunda-feira (17) na Câmara Municipal de Manaus. Os vereadores aprovaram o indecente projeto de resolução n° 20/2025, que alterou o Regimento Interno do parlamento para premiar os edis.
Com a aprovação do projeto – que não precisa de sansão do prefeito, mas é promulgado pela própria câmara municipal e toma forma de lei –, os vereadores criam uma benesse para eles e um “presente de grego” para a sociedade.
A benesse é pelo fato de os vereadores, agora, não precisarem mais comparecer ao plenário para trabalhar. Eles são obrigados a comparecer à câmara apenas três vezes na semana, na segunda, terça e quarta-feira, quando há sessões plenárias. Com a resolução aprovada, o presidente poderá convocar sessões virtuais ou híbridas (nas virtuais, todos trabalham de fora, conectados por um aplicativo de celular ou computador; nas híbridas, quem quiser, pode participar do plenário).
Significa que agora os vereadores de Manaus não precisarão mais se justificar quando quiserem “matar” as sessões para viajar ou fazer o que bem entender. Podem conectar-se online e justificar a falta, marcando presença virtual.
Quem lembra dos “recessos brancos” que os parlamentares costumam fazer em tempos de campanha eleitoral? Não poderão mais ser assim chamados. Os vereadores poderão combinar de realizar as sessões virtuais nesse período, e cada um vai para o seu evento de campanha sem preocupação com falta. Um assessor pode manter o aplicativo ligado com a foto do assessorado, e bingo!
O “presente de grego”, ou seja, a punhalada nas costas da sociedade, é pelo fato de a lei permitir que os vereadores usem como justificativa para realizar sessões virtuais a “impossibilidade de acesso ou de funcionamento seguro do plenário e demais dependências da Câmara Municipal, por motivo de força maior.”
Entenderam? No caso como o de hoje, em que centenas de servidores públicos compareceram à Câmara Municipal para protestar contra o projeto de lei do prefeito David Almeida que aumenta o tempo de trabalho exigido para a aposentadoria, os vereadores poderão fazer a sessão virtual, alegando falta de segurança. Ou seja, mantém o parlamento fechado e vota a matéria contra a população na covardia.
Essas medidas eram impensadas em tempos passados recentes em que os vereadores tinham uma pitada a mais de respeito pelo eleitorado e pelos contribuintes que pagam seus gordos salários.
Chegamos ao fundo do poço? Não! Com David Reis (Avante) à frente dessa patota que forma maioria da Câmara Municipal de Manaus, podemos esperar muito mais maldade.
Obs.: O projeto de lei que mudou as regras para aposentadoria dos servidores municipais, elevando o tempo de serviço e contribuição, foi aprovado por 28 votos a favor, 10 contrários e 3 ausências, uma delas do vereador preso, que continua recebendo salário normalmente e mantendo um gabinete com uma pilha de servidores sem nada fazer.
Mas isso não é o fundo do poço!

