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Fatima Guedes

Mulher da Vida

18 de janeiro de 2024 Fatima Guedes
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“[…] Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar / Porque vai ser o que quis, inventando um lugar / Onde a gente e a natureza feliz viviam sempre em comunhão / E a tigresa possa mais do que o leão”. (Caetano Veloso e Luciana Marques de Araújo)

Temáticas com sabor de lutas e resistências ao politicamente correto ficam cada vez mais ausentes. Perspectivas literárias inovadoras se perdem via embriaguez midiática cujo legado é a idiotização das massas em avanço desenfreado.    

Em confronto com tal realidade, resta-nos acatar brechas e registrar legados ímpares qual gotículas de orvalho sobre a aridez dos campos devastados. Por esse olhar, nossa estrada já aponta a curva… Abrem-se pequenas brechas que nos permitem visualizar no horizonte das memórias campos recheados de margaridas – flores místicas, incomuns, aquareladas de toques interventivos e transformadores.

Nesse vislumbre, visualizo Margarida Campos qual a Tigresa, de Caetano e Luciana: a autêntica “Mulher da Vida” cujas “garras me marcaram a vida, o coração”, apontando-me trilhas de libertação.

A propósito do exposto, não é tão fácil, nesse modelo de sociedade, assumir-se Mulher em totalidade: os impositivos patriarcais se impõem como padrões irrevogáveis, inatingíveis. O desafio é grande!  É maior ainda, quando esta Mulher comanda a própria vida, a própria vontade; quando derruba muralhas escravizantes e vive em plenitude o “Eu Sou!”

Contagiada por este acervo, atrevo-me registrar um tiquinho dos reflexos desta Flor inédita em minha jornada histórica e na de tantas outras pessoas que tiveram o privilégio de conhecê-La.

Conheci Margarida Campos, caboca amazonense, enfermeira sanitarista, mestre em Saúde Comunitária (UFBA), em novembro de 2003, quando participei, a convite desta, do I Encontro Amazonense de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde da ANEPS (Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde), na cidade de Manaus, sob o tema, “Nossa aldeia também tem o que ensinar – os saberes dos povos da floresta”.

O evento reunira organizações e movimentos populares e respectivos agentes popular/tradicionais de saúde: erveiros, benzedeiras, “pegadores de ossos”*, parteiras, pajés e “sacacas”*, de 14 municípios do Amazonas: Atalaia do Norte, Barcelos, Benjamim Constant, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manicoré, Novo Ayrão, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Izabel do Rio Negro, Silves e Tefé. 

A base motivadora do Encontro centrara-se nos princípios da Educação Popular, anunciada pelo Educador Paulo Freire: amorosidade, diálogo, acolhimento, problematização da realidade, troca de saberes, conhecimentos e construção compartilhada de um projeto popular democrático.

Durante o evento, a enfermeira atiçara-me a chama da teimosia sobre a visibilização dos saberes e práticas popular/tradicionais de saúde, na cidade de Parintins/AM. O calor daquele “tição” militante influenciara também a criação da Articulação Parintins Cidadã (2005) e o objeto de pesquisa de meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), “Conhecimento – Estrada de mão dupla. A relação entre os saberes oficial e popular na construção da saúde, na cidade de Parintins/AM” (2008), da Especialização em Estudos Latino-Americanos, pela Universidade Federal de Juiz de Fora/MG, em parceria com a Escola Nacional Florestan Fernandes, Guararema/SP.

Os brados contagiantes de Margarida, durante o Encontro, apontavam rumos sábios e justos fundamentados na “Ciência do Povo”sob perspectiva de uma saúde pública universal, equitativa com participação social. Os brados da Enfermeira nos instigavam colocar as mãos na obra e somar na construção do projeto popular democrático apontado nos princípios Freireanos:   

“Não duvide: o mundo é dos que ousam aprender. Este encontro quer provar que existem lições em tudo. O Brasil é um País de poucos ricos e muitos pobres. Existe o conhecimento do rico e o conhecimento dos pobres. Na verdade, um não exclui o outro. A realidade, no entanto, é outra: a ciência oficial é arrogante e não dá ouvidos ao conhecimento das populações marginalizadas, porque elas não têm diploma de doutor. O diploma de doutor nasceu ontem.

A ciência do povo existe há milhares de anos! E não se pode deixar que a ciência do povo seja extinta pelo preconceito perverso que promove a divisão da vida em ricos e pobres. O preconceito é a pior pobreza e a ciência do povo é riquíssima em conhecimento e sabedoria. Este Encontro quer provar isto. Mas, não basta. Não podemos, também, ser arrogantes. É preciso assumir um compromisso de luta, de luta incessante, pelo reconhecimento do conhecimento do povo. Que o povo e sua experiência possam educar a arrogância oficial da ciência, contra as desigualdades. Mãos à obra!”

O desafio fora acolhido na totalidade de meus ideais e propósitos militantes. No entanto, escancaravam-se horizontes nublados, indefinidos… O empoderamento na luta social cobrava-me leituras aprofundadas de teorias afins, problematizações da realidade, haja vista, a construção do projeto popular democrático exige de militâncias comprometidas decodificação de linguagens, de tendências, intenções sistêmicas e, assim, desenvolver táticas e estratégias para devidos intervenções e/ou enfrentamentos – passaporte para praticizar esperançamentos libertários-, quando limitações se impõem e possibilidades de diálogos se esgotam. 

Entre tantos outros nutrientes, Margarida vibra em cada luta, em cada enfrentamento, em cada ato transgressor que nos cobra intervenção, autonomia, determinação, enfim, radicalização da democracia.

A florescência de Margarida Campos em defesa da Saúde, da Justiça Social ultrapassa limites estruturantes… Na trajetória desta Guerreira há um cenário pluriversal de fatos, compromissos, vivências… Sustentáculos para teses comprometidas com mundos dignos, justos e possíveis: nutrientes indescritíveis!  Resta ainda um universo ilimitado de fatos a registrar. Porém, tempo e espaços para rascunhos dessa natureza continuam no quadrado: são gritos engasgados, terapias transgressoras de independência ou morte! Em breve, a Flor dos Campos testemunhará na Obra “Estação Radiant”, ecos históricos da cidade de Manaus – cultivos para a eternização do que foi e não voltará.

Deixo claro! As estradas as quais percorri até aqui trazem matizes de Margarida Campos: metade flor, metade felina cujos atributos a eternizam em nosso Memorial, elegendo-A “MULHER DA VIDA”.

Falares da casa

Pegadores de ossos ou Consertador de desmintiduras – Expressões do coloquial para designar o curador que aplica terapias próprias do saber popular em luxações e contusões.  Por dedução e associação, acreditamos que o termo “desmintidura” vem de desmeter, isto é, deslocar, sair do lugar, etc.

Sacaca – “Em tupi, sacaca é feitiço, é o sentido mágico da relação com o sobrenatural. É aquele que tem a capacidade ou o dom de lidar com práticas que permitem essa relação. Os pajés são considerados Sacacas porque já nasceram com o dom da transcendência e com a capacidade ou o poder da cura”. (Fred Góes, Jornalista, Presidente do Boi Bumbá Garantido)

Tição – Pedaço de madeira que mantém a chama acesa nas fogueiras.


Fátima Guedesé educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia. Uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS). Autora das obras literárias, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Mulher, saber tradicional, saberes tradicionais, saúde
Valmir Lima 18 de janeiro de 2024
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