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Política

Mourão responde a filho de Bolsonaro: ‘Democracia é um pilar da sociedade’

10 de setembro de 2019 Política
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Hamilton Mourão lembrou que sem democracia Bolsonaro não teria chegado ao poder (Foto: Romério Cunha/PR)

Por Gustavo Uribe, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – Em um contraponto ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, o presidente interino do Brasil, Hamilton Mourão, defendeu nesta terça-feira, 10, a importância do regime democrático e disse que é possível aprovar medidas com mais celeridade negociando com o Poder Legislativo.

O general da reserva salientou que, se não fosse o regime democrático, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não teria chegado ao comando do Poder Executivo e afirmou que o atual sistema político representa um dos “pilares da civilização ocidental”. “(A democracia é) fundamental, são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”.

Segundo pesquisa Datafolha feita no mês passado, 70% da população diz acreditar que os filhos de Jair Bolsonaro mais atrapalham do que ajudam seu governo. 

Nas redes sociais, o filho do presidente escreveu nessa segunda-feira, 9, que, por meios democráticos, não haverá as mudanças rápidas desejadas no país, o que foi visto como uma ameaça e criticado tanto por entidades civis como pela classe política. “Lógico (que dá para fazer mudanças), senão a gente não tinha sido eleito”, disse Mourão.

“Temos de negociar com a rapaziada do outro lado da Praça (dos Três Poderes). É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência”, disse Carlos Bolsonaro.

As postagens desta segunda foram feitas enquanto seu pai, Jair Bolsonaro, está internado em um hospital de São Paulo após passar por cirurgia no domingo, 8, a quarta decorrente da facada que levou há um ano durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, alvo recorrente de ataques de Carlos, ficará no comando da Presidência da República até quinta-feira, 12.

Perguntem a ele

Nesta terça, o presidente interino foi questionado, mas preferiu não emitir juízo de valor sobre a declaração do vereador. A família Bolsonaro tem um histórico de declarações de exaltação ao período da ditadura militar, que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. “Carlos Bolsonaro vocês perguntam para ele”, disse o general. “Isso é problema dele, pergunte a ele”, acrescentou.

Em conversas reservadas, integrantes tanto do núcleo militar como da equipe econômica têm criticado a postura do filho do presidente. Para eles, mais uma vez, Carlos tem atrapalhado o andamento do governo, gerando um desgaste de imagem.

Um assessor do Palácio do Planalto ressaltou à reportagem que o posicionamento ocorreu no pior momento, quando o Brasil já enfrenta críticas internacionais por conta das queimadas na floresta amazônica. A equipe ministerial, contudo, tem evitado fazer críticas públicas ao filho do presidente, com receio de retaliações. O general Carlos Santos Cruz foi afastado do comando da Secretaria de Governo após protagonizar um embate público com o vereador. “Isso não é da minha área”, respondeu nesta terça-feira, 10, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, ao ser questionado sobre a declaração polêmica.

Em episódios anteriores, auxiliares do presidente chegaram a defender que Bolsonaro chamasse a atenção do filho. Ele, no entanto, não seguiu o conselho, o que levou o núcleo militar a desistir de fazer um enfrentamento público com o vereador.

Outras polêmicas
Demissão de Bebianno

Em fevereiro, Gustavo Bebianno foi demitido da Secretaria-Geral da Presidência após uma crise desencadeada por uma postagem de Carlos. O filho do presidente postou no Twitter que o então ministro havia mentido ao jornal O Globo ao dizer que conversara com Bolsonaro três vezes na véspera, negando a turbulência política causada pelas denúncias das candidaturas laranjas no PSL. O post foi reproduzido na página de Bolsonaro.

Críticas a Mourão

Nas redes sociais, Carlos já fez diversas críticas ao vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Em abril, quando o vice foi convidado a dar uma palestra nos EUA e foi anunciado como “uma voz de razão e moderação, capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais”, Carlos escreveu um comentário recheado de ironias e disse que o jogo de Mourão estava muito claro.

Ele também disse que o general tinha um estranho alinhamento com políticos que detestam o presidente, em referência a um comentário de Mourão lamentando a decisão de Jean Wyllys de deixar o Brasil e não tomar posse como deputado federal.

Em outro episódio, desta vez em junho, quando Bolsonaro estava em visita oficial na Argentina, Carlos escreveu que tinha saudades do presidente de verdade “pró-armamento da população e contra o aborto”.

Demissão de Santos Cruz

Carlos foi acusado pelo general Carlos Alberto Santos Cruz, então chefe da Secretaria de Governo, de ter promovido um ataque virtual ao ministro. O caso aconteceu em maio, e a hashtag #ForaSantosCruz ficou entre as mais populares do Twitter. A disputa teria sido motivada pelo descontentamento de Carlos com a estratégia de comunicação da Presidência, a cargo do general. Em junho, Santos Cruz foi demitido.

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Assuntos democracia, Hamilton Mourão
Cleber Oliveira 10 de setembro de 2019
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