
Do ATUAL
MANAUS – A maior parte das pessoas que ainda morrem por Covid-19 no Amazonas é de idosos e pessoas com algum fator de risco, segundo números do último Boletim Epidemiológico da FVS-AM (Fundação de Vigilância do Amazonas). O documento, disponível no site da FVS, traz dados referentes até agosto deste ano.
No Amazonas, até o dia 28 de agosto de 2022, foram registrados 14.279 óbitos por Covid-19,
sendo 366 em 2022. Destes, 64% (235/366) ocorreram na capital Manaus e 36% (131/366) em 38 municípios do interior.
Com relação à faixa etária, observa-se maior proporção de mortes em pessoas com 60 anos ou mais, com 83% (302/366), sendo 46% (169/366) em pessoas com 80 anos ou mais e 36% (133/366) na faixa etária de 60 a 79 anos. Os adultos (20 a 59 anos) representam 14% (52/366) dos óbitos em 2022 e os menores de 20 anos com 3% (12/366) dos óbitos.
Dos 366 óbitos pela doença em 2022, 74% (270/366) apresentavam pelo menos um fator de risco. Nos adultos (20 a 59 anos) que morreram, 77% (40/52) apresentaram pelo menos um fator de risco, seguido dos idosos, com 75% (225/302). Entre os menores de 20 anos, 42% (5/12) das vítimas tinham comorbidades.
Entre as mortes com pelo menos um fator de risco, diabetes mellitus (40%) e hipertensão (39%) apresentam-se como as principais comorbidades para idosos; diabetes (25%) e doenças imunossupressoras (23%) entre os adultos de 20 a 59 anos, e cardiopatias (60%) e doenças neurológicas (40%) em menores de 20 anos.
Com relação à situação vacinal das vítimas da Covid, das 357 mortes na faixa de idade elegível para vacinação contra a doença, 27% (96 óbitos) não possuíam esquema vacinal atualizado. Segundo a FVS, considerando a população maior de 12 anos, os pacientes sem vacinação apresentam um risco 11 vezes maior de adoecer e 15 vezes maior de hospitalização do que aqueles com situação vacinal atualizada (com dose de reforço).
De acordo com o vacinômetro da FVS, consultado nesta segunda-feira (26), foram aplicadas 8,23 milhões de doses da vacina contra a Covid no Amazonas até o momento. Desse total, 3,32 milhões foram da primeira dose; 2,77 milhões da segunda; 73,2 mil foram doses únicas; 1,55 milhão da primeira dose de reforço e 506,5 mil da segunda dose de reforço.
A cobertura vacinal da população contemplada pela imunização, o público de 3 anos de idade ou mais (3,96 milhões de habitantes), é de 83,7% para a dose um; 83,6% para a dose dois; 48,1% para a primeira dose de reforço e 18,3% para a segunda dose de reforço.
Cuidado permanente
Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazônia (Fundação Oswaldo Cruz), alerta que as mortes por Covid-19 continuam acontecendo e matando mais pessoas do que outras doenças historicamente problemáticas no Amazonas.
“Para se ter uma ideia, ao longo do ano de 2021, foram notificadas, conjuntamente, cerca de 90 mortes por todos os tipos de malária, dengue, febre hemorrágica do dengue e todos os tipos de hepatites virais. No entanto, somente entre 1º de julho de 2022 e 25 de setembro de 2022, foram registradas cerca de 150 mortes por Covid-19 no Amazonas, a maior parte delas plenamente evitáveis mediante vacinação”, disse.
O epidemiologista explica que, de modo geral, são vítimas que estavam sem vacina ou com esquema vacinal incompleto e que muitas vezes eram de grupos de maior risco para morte por Covid-19, como pacientes com câncer, imunossuprimidas, com mais de uma comorbidade ou idosos, por exemplo.
“No entanto, uma parcela bem menor foi a óbito mesmo estando completamente vacinada, sobretudo no grupo de pessoas com fatores de risco conhecidos, nas quais a proteção vacinal não foi suficiente, pois não existe nenhuma vacina perfeita e é por este motivo que devemos ser cautelosos e não cair no equívoco de que vacina sozinha faz milagre”, ressaltou.
Orellana afirma que é preciso estar em alerta permanente em tempos de pandemia, sempre com a vacinação em dia e mantendo os cuidados, sem exageros.
“Basta termos cautela, sobretudo em ambientes com intensa circulação de pessoas e pouca ventilação (shows, bares, restaurantes, transporte coletivo, igrejas/cultos, escolas, trabalho), os quais devem ser evitados ou, em último caso, frequentados com o uso de máscaras, especialmente os respiradores tipo N95 e PFF2, únicos que filtram o SARS-COV-2, causador da Covid-19. Em ambientes abertos e ventilados, por exemplo, pessoas sem conhecidos fatores de risco, já podem andar sem máscara, embora o risco de contaminação exista”, orientou.
Ele acrescenta que a higienização das mãos com água e sabão ou uso de álcool em gel também é essencial.
