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Variedades

Morre Gina Lollobrigida, musa italiana que foi sex symbol do cinema, aos 95

16 de janeiro de 2023 Variedades
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Atriz italiana morreu nesta segunda-feira (16) (Foto: Reprodução/YoTube)
Da Folhapress

SÃO PAULO – Morreu a atriz Gina Lollobrigida, musa do neorrealismo italiano e sex symbol na era de ouro de Hollywood, aos 95 anos. A confirmação foi feita pela agência de notícias Ansa nesta segunda-feira (16). A artista estava internada em um hospital em Roma e detalhes da morte não foram divulgados pela família.

Admirada por sua sensualidade, que lhe rendeu o apelido de “maggiorata” -termo utilizado para designar as voluptuosas atrizes italianas dos anos de 1950 e 1960-, Lollobrigida autou em filmes como “O Diabo Riu por Último”, com Humphrey Bogart, e “Quando Explodem as Paixões”, no qual contracenou com Frank Sinatra.

Sua morte é bastante simbólica, já que ela era uma das poucas divas remanescentes da era de ouro de Hollywood, mesmo que a partir dos anos 1970 tenha se afastado gradualmente do cinema para trilhar carreira como fotógrafa e escultora.

Nascida em Subiaco, uma cidade da região metropolitana de Roma, em julho de 1927, Lollobrigida chamou a atenção daqueles ao seu redor pela beleza desde cedo. Seu pai, um fabricante de móveis, e a mãe a inscreviam em concursos de beleza mirins, dando o pontapé na carreira de modelo e de atriz da italiana.

Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, em 1947, ela chegou a entrar para o concurso Miss Itália e ficou com o terceiro lugar, ganhando projeção em todo o país.

Assim, três anos depois, ela assinava seu primeiro contrato para estrelar filmes americanos, num acordo arquitetado pelo produtor Howard Hughes, que queria que ela gravasse três longas por ano. Mas ela estava descontente com os termos, e o arranjo acabou não indo para frente.

Cláusulas já assinadas, no entanto, a impediram de trabalhar em filmes americanos que fossem feitos nos Estados Unidos até 1959.

Até esse período, ela ficou livre para atuar em produções europeias ou americanas que filmassem na Europa. Dessa forma, começou a construir seu caminho ao estrelato nas tramas italianas “Pão, Amor e Fantasia”, que lhe rendeu uma indicação ao Bafta, “A Provinciana” e “A Romana” e nas francesas “Fanfan la Tulipe”, “Esta Noite é Minha” e “A Grande Paixão”.

Sob a direção de John Huston e como par romântico de Bogart, “O Diabo Riu por Último” veio em 1953 como sua apresentação em larga escala para o mundo de língua inglesa. “Ousadia de Valente” e “A Mais Bela Mulher do Mundo” vieram em seguida. O segundo deu a ela o primeiro prêmio David di Donatello de melhor atriz.

Com o cineasta Carol Reed, trabalhou em “Trapézio”, com Jean Delannoy deu vida à icônica e sensual Esmeralda, em “O Corcunda de Notre Dame”, e com King Vidor esteve em “Salomão e a Rainha de Sabá”.

Os anos 1950 e 1960 foram de trabalho intenso, a ponto de Lollobrigida ter recusado um papel coadjuvante no clássico “A Doce Vida”, de Fellini. Ela mais tarde demonstraria arrependimento pela decisão, que dizia ter sido tomada por engano, em meio ao volume de roteiros que chegavam para ela.

Além de Bogart e Sinatra, Lollobrigida também dividiu as telas, no período, com outros ícones da era de ouro do cinema, como Marcello Mastroianni, Burt Lancaster, Tony Curtis, Anthony Quinn, Rock Hudson, Sean Connery, Alec Guinness e David Niven.

A partir dos anos 1970, ela começou a pegar mais leve com a carreira. Na década de 1980, ela foi à TV nas séries “Falcon Crest” e “Estranhas Irmãs”.

Escultura e fotojornalismo se tornaram, assim, suas principais ocupações, e com suas lentes ela capturou figuras importantes, como Paul Newman, Salvador Dalí, Henry Kissinger, David Cassidy, Audrey Hepburn, Ella Fitzgerald e Fidel Castro, que deu a ela uma entrevista exclusiva quando era líder de Cuba.

Sempre ativa politicamente, Lollobrigida apoiou recentemente as opiniões pró-LGBTQIA+ do papa Francisco e tentou, sem sucesso, se eleger para o Parlamento Europeu e para o senado italiano. Em 2013, ela vendeu sua coleção de joias e doou os US$ 5 milhões arrecadados para pesquisas com células-tronco.

Seu último trabalho nos filmes foi em 1997, em “XXL”. Entre os prêmios que recebeu em vida estão três troféus Davi di Donatello competitivos e mais quatro honorários, um Globo de Ouro e um prêmio especial do Festival de Berlim.

Ao lado de nomes como Sophia Loren, Monica Vitti e Brigitte Bardot, Lollobrigida fez parte de uma geração que viu ascender divas europeias que, além do talento, capturaram a atenção do mundo com sua beleza.

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Assuntos cinema, Gina Lollobrigida, Hollywood, morte
Murilo Rodrigues 16 de janeiro de 2023
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