
Por Flávia Said, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), defendeu que o governo trabalhe com cautela na regularização das terras raras e dos minerais críticos, alegando que não se pode “fechar as portas para a iniciativa privada, para o estrangeiro ou nacional, mas também não é um entreguismo, como nós fazemos atualmente de só entregarmos commodities para o mundo”.
“Acho que a gente pode fazer uma coisa equilibrada, com parceria com o setor privado, inclusive o estrangeiro”, afirmou em entrevista ao podcast Warren Política nesta sexta-feira (31).
Simone Tebet também disse que não se faz justiça fiscal sem responsabilidade fiscal e sem controle da máquina pública. Segundo ela, o Brasil não tem cultura de cortar gastos, seja em governos de direita, seja de esquerda, e afirmou que essa característica não é restrita ao Executivo, sendo compartilhada pelo Legislativo. E citou recuos em projetos de revisão de gastos, como no caso do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
“Uma dívida pública descontrolada impede investimentos, consequentemente, tem juros altíssimos para combater a inflação. Essa é uma receita óbvia”, afirmou, adicionando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca disse a ela: “Seja menos liberal” e foi receptivo às suas propostas.
Inflação
Como integrante do CMN (Conselho Monetário Nacional), Simone Tebet disse que “não há nenhuma discussão em mudar a meta de inflação” e entende que não tenha que haver mesmo. “Temos que ser duros mesmo na meta de inflação para mirar nela a todo custo”, defendeu.
Na visão dela, a meta de inflação está “bem posicionada”. Tebet admitiu que os integrantes do governo precisam fazer ajustes fiscais, ser “um pouco mais” rigorosos e ter mais parcerias no Congresso Nacional. Ela voltou a dizer que a revisão de gastos não é feita só pelo Executivo, e necessita do apoio do Legislativo.
Ainda segundo Tebet, o presidente Lula visa cumprir compromissos eleitorais defendidos em 2022. “Não dá para questionar o presidente de estar querendo cumprir aquilo que prometeu na eleição”, sustentou, citando a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR).
Tebet ainda descartou o reajuste do Bolsa Família e a tarifa zero para transporte coletivo em 2026 e disse que o próprio Congresso não aceitaria, em ano eleitoral, aumentar receitas. “Não estão na mesa”. Sobre o arcabouço, ela admitiu que a regra fiscal é “exequível, sustentável e a possível”, mas não resolve o problema da dívida pública. “Ela garante a estabilidade da dívida pública a partir de 2029”.
Reformas
Tebet ainda disse que o País teve importantes reformas nos últimos oito anos, que englobam também os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) – reforma trabalhista, reforma da Previdência, novo marco do saneamento básico, reforma tributária e a autonomia do Banco Central.
