
Por Circe Bonatelli, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O Mercado Livre anunciou nesta quinta-feira (24) que passará a trabalhar com entregas em um prazo de até 1 hora. A nova modalidade se chamará “Envio Agora”.
Neste primeiro momento, a operação será testada em uma área de quatro a cinco bairros da cidade de São Paulo. Em seguida, será ampliada para toda a capital paulista, região metropolitana e demais localidades. A companhia não revelou quais são os bairros dessa fase de testes, nem deu prazo para ampliar a cobertura.
“Como tudo que fazemos, começamos pequenos e, depois, a ideia é escalar”, afirmou o líder do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes, durante entrevista à imprensa. “Vamos cobrir toda a cidade com entregas muito rápidas. É um avanço na logística para atender a um novo modelo de entregas”.
A entrega em até 1 hora valerá para produtos de até 15 quilos vendidos no marketplace, abrangendo também itens de farmácia e supermercado – segmento nos quais enfrentará concorrentes, como iFood e Rappi, por exemplo.
Rede de entregadores
O Mercado Livre vai recorrer a uma rede de entregadores para coleta dos produtos nas lojas e envio até o endereço dos compradores. Em vez de utilizar os caminhões e vans da malha logística padrão, a companhia vai recorrer a motoboys, motoristas de carros e ciclistas para um transporte mais ágil.
“Neste momento não temos uma rede de motoqueiros tão grande, porque estamos começando. Mas vamos criar”, disse Yunes, ressaltando que há uma variedade grande de produtos disponíveis para entrega rápida, o que ajudará a dar escala nesse fluxo.
Marketplace
O Mercado Livre anunciou também uma expansão relevante na sua operação de venda de medicamentos. A partir de outubro, o grupo terá farmácias dentro do seu site. Hoje, a companhia vende remédios que fazem parte de um estoque próprio, um desdobramento da aquisição da Farmácia Cuidamos, concluída no ano passado.
Nesta nova etapa, o Mercado Livre vai plugar redes de terceiros ao seu marketplace. Serão três farmácias dentro da plataforma em outubro, com previsão de chegar a 20 até o fim do ano. A companhia não revelou os nomes dos participantes.
“Vamos ter o onboarding (integração) até o fim do ano e acelerar o marketplace de farmácias no começo do ano que vem”, disse o Líder do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes, em entrevista à imprensa.
Yunes disse que o modelo segue o já existente em outros setores, nos quais pequenas, médias e grandes empresas estão dentro do marketplace.
“O Mercado Livre é como um grande shopping online, com as lojas dentro. Grandes nomes como Carrefour, Casas Bahia, Decathlon e outros milhares de players já vendem com a gente. Queremos o mesmo modelo para as farmácias”, afirmou Yunes. “Não queremos competir com as farmácias. Queremos que estejam dentro do Mercado Livre.”
Uma vez que as vendas sejam feitas no marketplace, as entregas poderão ser realizadas pelas próprias farmácias ou pela rede de transportadores do Mercado Livre. Os medicamentos farão parte do grupo de itens disponíveis para entrega feita em até uma hora. Essa modalidade – chamada ‘Envio Agora’ – foi anunciada hoje pelo grupo, e ainda está em fase de testes, com a cobertura limitada.
Venda de medicamentos
Outro anúncio do Mercado Livre é o início da venda de medicamentos sob prescrição médica. Isso abrange desde itens que não exigem a retenção da receita até aqueles que demandam a retenção do documento. A lista de remédios disponíveis vai de antibióticos a canetas emagrecedoras.
O Mercado Livre iniciou, em março, um projeto-piloto para a venda de medicamentos na cidade de São Paulo, o que marcou a entrada da plataforma no varejo farmacêutico brasileiro. A operação começou com escala reduzida, com entregas em até três horas e foco em produtos sem prescrição, como analgésicos, vitaminas e antiácidos.
“Começamos por remédios sem receita. E as buscas no Mercado Livre por remédios é muito grande. Na hora que olhamos o volume de buscas de remédios, vemos que a demanda já está lá”, citou Yunes. Segundo ele, a busca é especialmente elevada em categorias de itens que o consumidor não se sente confortável para compra de forma presencial, no balcão das farmácias tradicionais. Como exemplo, citou de medicamentos sexuais até combate ao fumo.
A companhia já opera a venda de medicamentos em outros mercados da América Latina, como México, Colômbia, Argentina e Chile.
