Menos médicos

O novo presidente nem assumiu, mas as medidas defendidas e os nomes indicados para os ministérios já mostram que o governo será maléfico para os trabalhadores e para os mais pobres, a ampla maioria da população.

Mas o que mais chama atenção é o que está sendo feito contra os mais pobres. O desemprego continua alto, a reforma trabalhista tirou direitos e não gerou empregos, o gás de cozinha aumentou, a miséria e a fome aumentaram a desesperança. E para ficar ainda pior, agora o povo ficará sem os médicos para atenção básica à saúde.

Após muitas agressões através de referências diretas, depreciativas e ameaçadoras feitas pelo presidente eleito contra a presença dos médicos cubanos no Programa Mais Médico, o Governo Cubano decidiu encerrar o contrato que tinha com o Brasil.

Com isso, 8.300 médicos cubanos deixarão de atender no país, sendo que 301 atendiam aldeias indígenas, através dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas – DSEI. No Amazonas, 292 médicos cubanos sairão do estado, sendo que 78 atendiam os indígenas.

Tem municípios do Amazonas que ficarão praticamente sem médico. Em Parintins, dos 13 médicos do programa que atendiam os indígenas, 12 são cubanos.

Bolsonaro deixa 28 milhões de brasileiros sem médico. São 2,8 mil cidades afetadas, a maioria nas áreas mais vulneráveis: norte do Brasil, semiárido nordestino, cidades com baixo IDH, áreas indígenas, periferias de grandes centros urbanos. Mais de 1,5 mil cidades só possuem atendimento pelos cubanos no Mais Médicos, sendo que 80% desses municípios são pequenos (menos de 20 mil habitantes) e localizados em regiões vulneráveis.  Haverá uma perda de 75% do atendimento em aldeias indígenas.

Os locais onde os cubanos atuam foram oferecidos antes a médicos brasileiros, que não aceitaram trabalhar. Em 5 anos do Programa, nenhum edital de contratação de médicos brasileiros conseguiu contratar essa quantidade de profissionais. O maior edital contratou 3 mil brasileiros, apenas. Apesar do salário de R$ 11 mil por mês.

O programa foi criado em 2013, pela presidenta Dilma Roussef, com um acordo de Cooperação com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), que realizava o contrato para intermediar a contratação dos médicos pelo Brasil, junto ao Governo de Cuba.

Cuba é referência mundial na área da saúde. Presta serviços e colabora em 66 países do mundo. Os médicos cubanos são funcionários do Governo e prestam os serviços junto a esses países. Recebem salário e benefícios para eles e toda a família. Em Cuba, a saúde é pública. O médico se forma e não vai atuar na iniciativa privada para ganhar dinheiro, mas nas ações humanitárias de Cuba ao redor do mundo.

Na área da saúde, o golpe contra os pobres é grande. Redução de 8.300 médicos. Congelamento por 20 anos nos investimentos do governo federal em saúde (aprovado com o voto do Bolsonaro), entrega do Pré-Sal para os estrangeiros e deixa de ser aplicado os royalties em saúde e educação, a proposta de aumentar o apoio aos planos privados em vez de investir nos hospitais públicos e no SUS.

O novo governo começa com o Menos Médico. Aliás, o presidente não pensou nas consequências de perder milhares de médicos. Em 2013, quando o programa foi criado, ele entrou no STF contra o Mais Médico. E em recente gravação, disse que iria acabar com os médicos cubanos quando assumisse o governo. O resultado está aí. Povo sem médico.

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