
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – A vacinação infantil em Manaus sofreu redução no intervalo de 2019 a 2021. No site do DataSUS, do Ministério da Saúde, consta que a imunização do grupo que compreende a faixa etária de 0 a 14 anos caiu de 936,2 mil em 2019 para 901,7 mil em 2020 e atingiu 852 mil em 2021. De janeiro a junho deste ano, 447,5 mil crianças foram imunizadas.
Na comparação entre 2020 e 2021, é possível constatar que as faixas etárias que tiveram redução na quantidade de vacinados foram a dos menores de 1 ano e os de 4 a 14 anos. Os dados foram consultados na terça-feira (19).

Fake news
O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia (Fundação Oswaldo Cruz), afirma que as fake news tem gerado medo e muita desconfiança em pais e cuidadores que deixam de vacinar as crianças, mesmo sendo um direito e as mesmas estando dispostas a se vacinarem.
Para Orellana, notícias falsas que levantam suspeitas sobre a imunização do público infantil contra a Covid-19 estão com o prazo de validade vencido.
“[…] já se passou mais de um ano depois que a vacinação começou e, até o momento, elas salvaram milhões de vidas em todo o planeta. Portanto, que não acreditem em fake news ou pessoas que mentem dizendo coisas negativas sobre a vacinação ou se passando por cientistas/especialistas no assunto”, alertou.
Os riscos de negligenciar a imunização para essa faixa etária são diretos e indiretos. “Diretos, pois podem adoecer gravemente ou até morrer por Covid-19 e, indiretamente, pois essas crianças entram na triste estatística de pessoas aptas à vacinação, mas que ainda não o fizeram, prejudicando o controle da epidemia”, pontuou Orellana.
Responsabilidade dos pais

A enfermeira Isabel Hernandes, chefe da Divisão de Imunização da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde), ressalta que não são só as fake news que influenciam nas coberturas vacinais baixas.
“Eu acho que uma grande responsabilidade também é dos pais que deixam de vacinar seus filhos. Mas não é a fake news só que pode se atribuída. Ela contribui, mas não pode ser atribuída como a causa raiz de baixa cobertura vacinal”, afirmou.
Hernandes alerta que as crianças que deixam de ser vacinadas estão em vulnerabilidade e a qualquer momento podem contrair doenças imunopreveníveis, como a poliomielite [paralisia infantil], sarampo, que já retornou no Brasil, e outras doenças que podem ser prevenidas por imunizantes.
“Todas as vacinas preconizadas no Brasil têm uma segurança e uma eficácia comprovada e atestada pelo órgão regulador Anvisa. Então os pais podem ficar tranquilos que nenhuma vacina usada no Brasil tem insegurança ou pode causar qualquer dano nas crianças”, assegurou.
De acordo com Hernandes, as principais vacinas são as preconizadas no calendário, principalmente nos dois primeiros anos de vida. “A poliomielite, a pentavalente, a tríplice viral contra o sarampo, a pneumocócica, a meningocócica. E nos adolescentes o HPV e contra a meningite ACWY”, pontuou.
