

Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (7), durante reunião com parlamentares aliados em um hotel de Brasília, que quer ver como o senador e rival no segundo turno pela Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), vai votar sobre o fim da jornada de trabalho 6×1. O tema está sendo deliberado pelo Senado, mas a votação antes do dia 25 de outubro ainda é incerta.
“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu o desafio a votar favorável, e a pedir ao PL para votar favorável. Eles estão inventando uma história de que ‘não, é melhor negociar com o patrão’. Como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem”, declarou o presidente.
Lula também orientou como os aliados devem tratar o tema da segurança pública na reta final da eleição. O presidente declarou que os Estados não “deram conta” de tratar do tema sem a participação da União e ressaltou a importância da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública
Campanha presidencial
Lula admitiu para aliados que a sua campanha à reeleição não está bem ordenada. O presidente disse que comunicou ao presidente do PT, Edinho Silva, que esta é a menos organizada que ele participou desde a primeira, em 1989.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou Lula em um tom humorado, apesar da cobrança feita em público aos organizadores.
Minutos depois da crítica pública de Lula aos organizadores da campanha, a transmissão que estava sendo feita no canal do YouTube do PT foi derrubada pelos moderadores. O vídeo foi restabelecido após 13 minutos.
O presidente disse também que “estranhou” o fato de não ter sido eleito em primeiro turno ou terminado o primeiro turno à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL). “Nesta eleição, eu não conseguia enxergar como não ganharíamos pelas entregas que fizemos. (…) Isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade entendesse o que fizemos”, disse Lula.
O presidente também cobrou uma unidade da esquerda. Segundo ele, todos os partidos do campo progressista poderiam se unir em um só. “Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade e de tempo. Muitas vezes, a gente não tem divergência programática, tem sustentabilidade de cargo de quem está e não quer sair”, disse Lula.
O presidente se reúne com as novas bancadas de esquerda do Senado e da Câmara no Hotel Meliá, em Brasília.
