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Dia a Dia

PF investiga suposto pagamento de propina internacional à Petrobras

5 de dezembro de 2018 Dia a Dia
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Funcionários da Petrobras pagarão rombo previdenciário (Foto: Tânia Rêgo/ABr)
O esquema teria operado até meados de 2014, “não sendo possível descartar a continuidade do esquema até os dias atuais, na área de trading com diversas ramificações internacionais”, disse a PF (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

Estelita Hass Carazzai e Taís Horata, Da Folhapress

CURITIBA – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 5, nova fase da operação Lava Jato para investigar o suposto pagamento de propinas bilionárias a funcionários da Petrobras por vantagens na aquisição de derivados de petróleo. Entre as empresas investigadas, estão as multinacionais Vitol, Trafigura e Glencore.

O esquema teria movimentado pelo menos US$ 31 milhões em propina, entre 2009 e 2014, segundo o MPF (Ministério Público Federal). Apenas essas três multinacionais (Vitol, Trafigura e Glencore) são suspeitas de pagar US$ 15,3 milhões, entre 2011 e 2014, em operações de compra e venda de petróleo e seus derivados e no aluguel de tanques para estocagem. Estão sendo executados 11 mandados de prisão preventiva, 27 de busca e apreensão, além de sequestros de imóveis e bloqueio de valores dos suspeitos.

Procurada, a Petrobras não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Contatados pela reportagem, funcionários da Vitol informaram que a empresa não se manifestaria. Procurada, a Glencore ainda não se posicionou. A reportagem ainda não conseguiu contato com a Trafigura.

A investigação identificou pagamentos de vantagens indevidas em contratos de asfalto, óleos combustíveis (usados em fornos e caldeiras), gasóleo de vácuo (usado na produção de gasolina e diesel) e bunker (combustível para motores de navio). Segundo a Polícia Federal, o esquema criminoso operou até meados de 2014, “não sendo possível descartar a continuidade do esquema até os dias atuais, na área de trading com diversas ramificações internacionais”.

Os pagamentos eram feitos a funcionários da gerência de Marketing e Comercialização da Petrobras, ligada à diretoria de Abastecimento, em troca de obter preços mais vantajosos e fechar contratos com maior frequência, de acordo com as investigações. A diferença do preço obtido no contrato, por meio do pagamento das vantagens indevidas, era chamada internamente na estatal de “delta”, segundo o MPF.

Era assim que os funcionários corrompidos apelidavam a propina que recebiam. De acordo com os investigadores, eles chegavam a se referir ao esquema como “delta business”.

A operação desta quarta foi batizada de Sem Limites, “em referência à transnacionalidade dos crimes praticados (que ocorrem em diversos locais no país e no exterior), à ausência de limites legais para as operações comerciais realizadas e a busca desenfreada e permanente por ganhos de todos os envolvidos, resultado sempre na depredação do patrimônio público”, disse a PF em nota.

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Assuntos Lava Jato, Petrobras
Redação 5 de dezembro de 2018
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