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Política

Lava Jato fechou acordo de cooperação com 37 países

3 de janeiro de 2017 Política
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Deltan Dallagnol (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Procurador Deltan Dallagnol disse que cooperação permitiu descobrir onde estava dinheiro roubado (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

CURITIBA – Em quase três anos de investigações, o Ministério Público Federal já acumula 159 pedidos de cooperação com autoridades estrangeiras para instruir ações penais relacionadas à Operação Lava Jato. A lista, de 37 países, inclui desde Estados Unidos e Suíça, que no mês passado divulgaram publicamente suas investigações, como Itália, Dinamarca, Suécia e Noruega, que têm obras e negócios sob suspeita e já solicitaram provas ao Brasil.

Até novembro, 17 países haviam pedido documentos para órgãos de investigação brasileiros, em 26 acordos de colaboração. Por outro lado, foram 32 países que receberam pedidos dos procuradores brasileiros – alguns deles estão nas duas listas. A maior parte das solicitações tem como objetivo a obtenção de documentos.

São pedidos enviados a países como Cingapura, onde estão alguns dos estaleiros contratados pela Petrobrás, e Gibraltar, onde está um importante porto de reparos navais. Ou Liechtenstein, Ilhas Cayman e Uruguai, países usados para abertura de contas secretas e movimentações de dinheiro para lavagem.

“Os pedidos de cooperação internacional permitiram seguir as pegadas do dinheiro ao redor do mundo e foram uma das principais características do novo modelo de investigação inaugurado pela Lava Jato”, afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba. Além da capital paranaense, os pedidos de colaboração partiram de investigadores em Brasília e no Rio.

Os acordos jurídicos – feitos com base em tratados e convenções internacionais – servem para autoridades de um país requisitarem a outros países oitivas de pessoas (testemunhas ou investigadas) para produzir e compartilhar provas documentais, para quebrar sigilos bancário, telefônico e de e-mails, para bloqueios de bens ou valores e para prisões e extradições.

Na China, por exemplo, país que tradicionalmente não mantinha acordos com o Brasil, a Lava Jato buscou dados sobre as contas usadas pelo doleiro Alberto Youssef para lavar dinheiro, em especial, da Odebrecht, via outro doleiro preso durante as investigações, Leonardo Meireles. “A mancha de países com cooperação com o Brasil, nos grandes casos, sempre se centrou no Uruguai, ou no Caribe, Estados Unidos e Suíça. E hoje se vê, sobretudo na Lava Jato, que essa mancha no mapa transitou rumo aos países da Ásia, em operações que tiveram repercussão no caso”, afirmou o secretário de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República, Vladimir Aras.

Há ainda os países que abriram investigações, mas não buscaram colaboração com o Brasil. E os que ainda devem ser citados oficialmente nas delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht, como México e El Salvador, que poderão buscar cooperação para procedimentos internos.

Internacionalização

O caso Banestado, que registrou evasão de mais de R$ 20 bilhões em divisas, na década de 1990, é até hoje o caso com maior volume de acordos jurídicos internacionais do Brasil: 180, quase todos com os Estados Unidos. “A previsão é de que a Lava Jato ultrapasse esse número de acordos”, afirmou Aras.

Em 2017, novas apurações, dentro e fora do Brasil, em negócios do setor de óleo e gás e obras de outros setores, como os de transportes e energia, devem envolver mais empresas, em especial multinacionais, para o foco da Lava Jato, avaliam os procuradores.

Outro aspecto abordado pelos investigadores é de que a atenção internacional no caso brasileiro e o maior volume de investigações pelo mundo devem ajudar autoridades locais a enfrentar o que eles chamam de ‘contraofensiva’ de políticos para frear a operação.

Como exemplo, eles citam as tentativas de aprovar mudanças na Lei de Abuso de Autoridade no Senado e as alterações feitas pela Câmara no pacote de 10 Medidas contra a Corrupção – projeto de iniciativa popular encabeçado pelo Ministério Público Federal.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos corrupção, Deltan Dallagnol, Lava Jato, petrolão
Cleber Oliveira 3 de janeiro de 2017
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2 Comments
  • Mirtes disse:
    6 de janeiro de 2017 às 10:51

    Já que a lava-jato vai aos Estados Unidos, à Noruega, à Suíça, à Cingapura, China, Gibraltar, Ilhas Caimã, Uruguai, a 191 lugares distantes do Brasil, por que não vem, Dallagnol, aqui bem pertinho no Amazonas saber porque se mata nos presídios em vez de matar a Odebrecht. Se o caso é corrupção, inserir na cúpula amazonense o estado de direito rompido quando este procurador achou que era deus e resolveu varrer da terra a dignidade brasileira. Só o Brasil entrega de bandeja as nossas empresas. Os outros protegem as suas. Este sim, é um bandido! e não muitos dos que morreram na chacina de Manaus, chacina e não acidente.

    Responder
  • Mirtes disse:
    6 de janeiro de 2017 às 11:11

    O caso Banestado está engavetado até hoje por outro bandido, Moro. Engavetou porque encarceraria aos que hoje se alcunham de presidentes do país, ninguém sabe quem manda, cúpula corrupta e sem verve de brasilidade. Engavetou porque sabia que chegaria ao PSDB, o berço do bandido chamado Moro. Bem que ele poderia estar no seguro do compaj, este bandido!

    Responder

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