
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – Começou nesta terça-feira (7) a audiência de instrução e julgamento do processo que apura o assassinato de Débora da Silva Alves, que tinha 18 anos e estava grávida de oito meses na época. Testemunhas estão sendo ouvidas no Fórum Ministro Henoch Reis, na zona centro sul da capital. Gil Romero Machado Batista, de 41 anos, acusado do crime, participa de forma remota.
Na entrada do fórum, familiares de Débora promoveram protesto e pediram justiça por ela e pelo bebê, que se chamaria Arthur.
“Que a Justiça seja feita. Que os culpados sejam punidos na forma da lei, que sejam condenados e que cumpram a sentença que for dada pelo juiz. Nós estamos aqui reunidos, a família e os amigos, em protesto, em manifestação, pedindo para que essa justiça aconteça”, afirmou Rita de Cássia Alves, tia da jovem.
De acordo com a polícia, Débora desapareceu no dia 29 de julho quando foi ao encontro de Gil Romero para juntos comprarem o berço do bebê. Segundo a polícia, o homem recusava a paternidade. Ele vivia com outra mulher, que foi investigada pela polícia. Os agentes descartaram a participação dela no crime.
Débora foi encontrada na manhã do dia 3 de agosto, morta e carbonizada, em um área de mata no bairro Mauazinho, em zona sul de Manaus.
“Ela estava grávida de oito meses e saiu para se encontrar com o pai do bebê e não retornou mais. E foi encontrada carbonizada dentro de um tonel lá nas matas, no bairro do Mauazinho. Segundo o laudo do IML, Débora teve perfuração na cabeça, no crânio, fraturas na perna. Uma perna foi cortada e outra foi faturada. A Débora estava amarrada em fios elétricos. E carbonizada”, afirmou Rica de Cássia.

Gil Romero foi preso no dia 8 de agosto em Curuá, no Pará, e transferido para Manaus. Ele estava sendo procurado pela polícia após a prisão de José Nilson Azevedo da Silva, conhecido como “Nego”, outro suspeito de envolvimento no crime.
O homem disse à polícia que tirou o bebê da barriga da vítima com uma faca e jogou o corpo da criança no Rio Negro, segundo a delegada adjunta Deborah Barreiros, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros do Amazonas.
“Ele alegou que havia cortado a barriga da Débora, retirado o bebê, colocado em um saco plástico, colocou pedras e materiais de construção, colocou em um saco de estopa, foi até o porto da Ceasa [na orla de Manaus], pegou um catraieiro, e quando ele estava nas proximidades do Careiro, ele jogou esse saco dentro do rio e retornou”, afirmou Rita de Cássia.
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A família desconfiou da versão contada por Gil, pois não houve registros da ação em câmeras de vigilância no entorno do Porto da Ceasa.
“Nós, família, nunca acreditamos nessa história. Era uma logística meio difícil para uma situação dessa, pois o Porto da Ceasa é cheio de câmeras, um posto da Polícia Federal que tem lá próximo da Ceasa tem câmera. Fora todo percurso, postos de gasolina, indústrias, fábricas do distrito, tudo muito cheio de câmeras de monitoramento, e nenhuma imagem foi encontrada, nada veio à tona, nada foi provado, nada foi confirmado sobre essa ida dele ao porto da Ceasa. Então, nós não acreditávamos nessa versão”, afirmou Rita de Cássia.

No dia 2 deste mês, feriado de Dia dos Finados, a família decidiu ir ao local do crime para fazer escavações. “Cavamos em vários lugares, procuramos em vários locais na mata, e quando a tarde estava finalizando, já estava começando a escurecer, nós encontramos o primeiro ossinho. E retornamos no outro dia, divulgamos, acionamos a polícia, perícia, IML, advogada, e fomos para lá. E nós encontramos. Encontramos bastante ossinhos”, disse Rita de Cássia.
De acordo com familiares de Débora, o material foi entregue à perícia para exame de DNA, que deve ser concluído em 90 dias.
“O prazo estipulado é de 90 dias por se tratar de ossos. Então, a gente aguarda essa reposta. Mas, como família, a gente tem a convicção de que é o bebê. Pelo fato dele ter sido encontrado no local onde estava o camburão no dia em que a Débora foi encontrada. Esses ossinhos estavam enterrados debaixo do camburão. Quando o camburão foi removido, a criança estava enterrada embaixo desse camburão”, afirmou Rita de Cássia.

