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Dia a Dia

Juíza rejeita soltar acusado de matar indígena Melquisedeque

8 de novembro de 2022 Dia a Dia
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Melquisedeque foi morto com tiro na cabeça (Foto: Reprodução)
Melquisedeque foi morto com tiro na cabeça dentro de um ônibus do transporte público (Foto: Reprodução)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS – A juíza Patrícia Macêdo de Campos, da 9ª Vara Criminal de Manaus, negou, nesta segunda-feira (7) o pedido de relaxamento da prisão de Lucas Lima, de 34 anos, um dos acusados pelo assassinato do jovem indígena Melquisedeque Santos do Vale, o ‘Mélqui’, que tinha 20 anos. Ela considerou que o crime foi praticado com “violência e grave ameaça”.

“Perlustrando-se as condições com que se deram os fatos, anoto que o crime em comento foi praticado com violência e grave ameaça, o co-denunciado e outros dois indivíduos não identificados anunciaram um assalto a um ônibus que culminou em quatro patrimônios atingidos e a vida de um dos passageiros ceifada”, disse Patrícia de Campos.

A juíza também considerou a folha de antecedentes criminais de Lucas Lima. “O réu é pessoa contumaz na prática delitiva, porquanto seus antecedentes juntados às fls. 373 atestam ser o mesmo useiro em afrontas à norma penal estabelecida”, afirmou Campos.

O ATUAL apurou que em julho de 2020 Lucas foi condenado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito em novembro de 2019. Ele também foi preso em flagrante, em fevereiro deste ano, por tráfico de drogas, e virou réu, em junho deste ano, por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido ocorrido em dezembro de 2021.

O crime ocorreu no dia 16 de dezembro de 2021 em um ônibus da linha 444, em Manaus. Segundo o MP-AM (Ministério Público do Amazonas), Lucas Lima, Janderson Cabral Cidade, de 20 anos, e Davi Souza da Silva, de 23 anos, entraram no ônibus vestidos de gari para roubar celulares e dinheiro de passageiros. Sem motivo, Janderson disparou na cabeça de Mélqui.

Entenda o caso

Em denúncia apresentada em abril, o MP relata que, após Janderson disparar contra Mélqui, o trio exigiu que o motorista do ônibus parasse o veículo para que eles descessem e fugissem por um matagal. Conforme a promotora de Justiça Leda Mara Albuquerque, o “comparsa que conduzia o automóvel destinado ao auxílio e fuga dos denunciados também evadiu-se”.

Lucas foi preso no dia 16 de março em uma rua do bairro Cachoeirinha, na zona sul de Manaus, e apontou Janderson como autor do disparo contra Mélqui. No dia seguinte, em 17 de março, policiais militares localizaram e prenderam Janderson em uma casa no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte de Manaus, após denúncia anônima.

Janderson e Lucas foram denunciados pelo MP no dia 4 de abril, ocasião em que Leda Mara solicitou à polícia que localizasse e interrogasse Davi, que havia sido mencionado por Janderson. No dia 7, acompanhado de uma advogada, Davi compareceu à Derfd (Delegacia Especializada De Roubos, Furtos e Defraudações) para prestar depoimento.

Documento da Polícia Civil que o ATUAL teve acesso aponta que, em depoimento, Davi confirmou a participou na ação criminosa que resultou na morte de Mélqui. Ele disse que Lucas era o “cabeça do grupo” e foi quem deu a ideia de fazer assalto no veículo. Também afirmou que foi Janderson quem disparou contra o jovem indígena usando uma arma caseira.

Ainda conforme o documento, Davi negou que o motorista que deu suporte ao grupo estava em um carro Renault/Symbol, da cor vermelha, como apontaram denúncias anônimas que levaram policiais militares até Emerson Arevalo, no dia 17 de dezembro. Segundo David, o motorista estava em um carro Classic, de cor preta.

No dia 7 de abril, o delegado Ismael Schettini Trigueiro, da Derfd, indiciou Davi como um dos autores do crime contra Mélqui após o jovem de 23 anos ter confessado participação na ação criminosa no ônibus da linha 444. Davi foi incluído pelo Ministério Público na denúncia contra Janderson e Lucas no dia 10 de abril.

Confira a decisão da juíza.

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Assuntos homicídio, manchete, Melquisedeque Santos do Vale
Cleber Oliveira 8 de novembro de 2022
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