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Política

Juiz Sérgio Moro aponta ‘corrupção sistêmica’

21 de maio de 2015 Política
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Sérgio Moro
Para Moro, “o mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ ABr)

SÃO PAULO – O juiz federal Sérgio Moro disse que a Operação Lava Jato “tem cotidianamente se deparado com um quadro de corrupção e lavagem de dinheiro sistêmicas”. Ao mandar prender o lobista Milton Pascowitch, que pagou R$ 1,45 milhão para uma empresa de consultoria do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil do governo Lula), o juiz assinalou que a investigação revela “indícios da prática sistemática e habitual de crimes de cartel, de fraude à licitação, de corrupção e de lavagem de dinheiro”.

Milton Pascowitch foi preso em São Paulo nesta quinta-feira, 21, na 13.ª etapa da Lava Jato. A Polícia Federal e a Procuradoria da República suspeitam que Pascowitch fazia lobby para o PT e repassava dinheiro ilícito para empresas de Dirceu.

“A gravidade concreta da conduta de Milton Pascowitch é ainda mais especial, pois há indícios de que propinas também foram pagas, por seu intermédio, para agentes políticos e para financiamento político, o que compromete a integridade do sistema político e o regular funcionamento da democracia”, destacou o juiz da Lava Jato.

Para Moro, “o mundo do crime não pode contaminar o sistema político-partidário”. O juiz argumenta que a participação de Pascowitch “é mais análoga a dos profissionais que se dedicaram, diferentemente dos empreiteiros, exclusivamente à prática delitiva, intermediando propinas, ocultando e dissimulando o produto do crime, em operações complexas de lavagem de dinheiro, inclusive com transações e contas secretas no exterior”.

Moro cita depoimento do empreiteiro Gerson de Mello Almada, segundo o qual a função de Pascowitch “era equivalente” a do doleiro Alberto Youssef – peça central da Lava Jato. “Ou seja, profissional dedicado ao pagamento de propina e de lavagem de dinheiro”, afirma o juiz que vê aí, a necessidade da prisão preventiva do lobista ante “a presença do risco à ordem pública”.

O juiz ressalta a existência de materialidade dos crimes atribuídos ao pagador de José Dirceu e o risco de Pascowith destruir ou ocultar provas. “No caso de Milton Pascowitch há provas de que manteria contas secretas no exterior (pelo menos a MJP International Group e a Farallon Investing Ltd), com recursos milionários, a partir das quais efetuou o pagamento de propinas a empregados públicos, como Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia da Petrobras que devolveu US$ 97 milhões recebidos em propinas). As contas secretas ainda constituem indício de risco à aplicação da lei penal, pois não sendo imediatamente acessíveis às autoridades brasileiras, tem o investigado condição de dissipar os ativos nelas mantidos, impedindo, com eficácia, a recuperação do produto do crime, oferecendo ainda um risco concreto de fuga, pois, com conexões e recursos milionários no exterior, tem o investigado condições de nele refugiar-se, mantendo-se a salvo da ação da Justiça brasileira.”

“Milton Pascowitch teria participado por longo período do esquema criminoso, sendo apontado como intermediador das propinas de 2004 a 2014 entre dirigentes da Engevix e empregados da Petrobras e da Sete Brasil, além de haver indícios de que atendeu outras empreiteiras”, assinala o juiz na decisão que deflagrou a 13.ª fase da Lava Jato.

Para Sérgio Moro, “em um contexto de criminalidade desenvolvida de forma habitual, profissional e sofisticada, não há como não reconhecer a presença de risco à ordem pública, a justificar a prisão preventiva para interromper o ciclo delitivo”.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos corrupção, Lava Jato, Sérgio Moro
Valmir Lima 21 de maio de 2015
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