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Variedades

Jeito ‘sincerão’ ajuda a combater racismo, diz Jojo Todynho

20 de novembro de 2022 Variedades
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Jojo Todynho: sem mudança no jeito de ser (Foto: Reprodução/Instagram)
Por Karina Matias, da Folhapress

SÃO PAULO – Jojo Todynho tinha um ano quando Tim Maia morreu, em março de 1998. Carmelo Maia, filho do cantor, costuma dizer que o pai e a cantora seriam “melhores amigos” caso tivesse dado tempo de eles terem se conhecido. “O Carmelo fala muito isso, porque o Tim era ‘sincerão’, né.? Ele não tinha medo de reverberar o que sentia”, diz ela.

“E eu tenho muito da personalidade dele em algumas ocasiões. Eu não tenho medo de expor a minha opinião. Se eu achar que eu devo, eu vou lá e falo”, afirma Jojo, que conversou com a reportagem, por vídeo, por cerca de uma hora.

Foi essa espontaneidade que levou a cantora a ser a preferida do público para ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão do reality A Fazenda 12, da Record, em 2020. E é esse mesmo jeito autêntico que a levou a ser contratada pela Globo como uma das apresentadoras do Central da Copa, programa que a emissora vai exibir a partir de segunda (21).

Jojo estará ao lado do apresentador Alex Escobar, do ex-jogador Fred e do humorista Marcelo Adnet em uma atração que promete abordar os principais acontecimentos do torneio do Qatar de forma leve e descontraída.

“Eu falo a linguagem do povo, então, eu vou trazer essa coisa da rua, a dúvida das pessoas para o programa”, detalha. Flamenguista fanática, Jojo diz que a Copa do Mundo é o momento em que o Brasil tem que estar unido para “vibrar e torcer” pelo hexa.

O jeito “sincerão” da cantora nascida e criada em Bangu, no subúrbio do Rio de Janeiro, como Jordana Gleise de Jesus Menezes, também costuma fazer a festa dos sites e revistas de fofoca. Recentemente, ela virou notícia ao publicar em suas redes sociais um vídeo indo pessoalmente tirar satisfação com uma vizinha de sua avó que fez uma postagem definindo-a como “gorda ridícula”.

Para Jojo, ser uma pessoa conhecida não é aval para ser atacada nas redes sociais. “Você não gostar de mim, isso é um direito seu. Agora, se eu não te faltei com o respeito, por que você vai tecer palavras preconceituosas contra mim? Só porque eu sou figura pública, eu tenho que ser fantoche dos outros?”, indaga.

“Não existe isso, gente. Eu tenho problema como todo o mundo. Eu pago boleto, sinto dor como todo o mundo. A minha vida não é diferente da de ninguém. A diferença é que eu estou na mídia”, afirma.

“Eu hoje sou uma mulher milionária, mas eu vim da favela e o dinheiro não mudou meu discurso. Eu continuo sendo quem eu sou. Eu sou a mulher que amanhã pode estar em Paris, ao lado do Jean Paul Gaultier [ela é contratada pela grife do estilista francês], e eu sou a mulher que vou estar em Bangu, tomando uma cerveja com meus amigos”, completa, em tom de desabafo.

Depois de ter ficado famosa, Jojo afirma que as ofensas racistas e gordofóbicas pioraram. “Antes eu era anônima, e não passava por essas coisas”, diz. “Mas eu passo de cabeça erguida, porque isso diz mais sobre quem faz do que sobre mim”, completa.

Com 24 milhões de seguidores no Instagram, a cantora diz ter consciência do seu poder de influenciar as pessoas. Por isso, decidiu fazer aulas de letramento racial. “Como uma mulher preta, eu tenho que ter embasamento e propriedade para falar para outras mulheres da favela que, de alguma forma, podem me ver como uma inspiração de como elas são capazes, de como elas podem chegar lá”, explica.

“Nós, infelizmente, vivemos numa sociedade preconceituosa e racista. Eu preciso estudar porque eu não posso dar a oportunidade de alguém me corrigir quando eu estiver falando sobre o meu povo, sobre a minha origem”, reforça.

É pela mesma lógica de raciocínio que ela diz ter decidido não declarar o seu voto para presidente nas eleições deste ano. “As pessoas pedem muito que eu faça um posicionamento político. Eu não faço, porque eu não sei sobre o assunto. Sei o básico. Eu tenho 24 milhões de seguidores. Não posso influenciar as pessoas com achismos meus”, responde.

“Hoje, a gente vive de uma maneira que estamos pisando em ovos. E eu tenho uma força muito grande na internet, eu tenho uma credibilidade muito forte. Tenho que saber o que falar, a hora de falar, como me expressar”, prossegue. Também afirma que a política não é um assunto de seu interesse.

Por outro lado, costuma dar conselhos para outras mulheres que se sentem inseguras em relação à aparência. Conta ter falado sobre o assunto outro dia com uma seguidora que tinha acabado de ter um filho e disse que estava com a autoestima baixa. “Corpo é só matéria. O seu peso, a forma como você está, não muda o seu caráter, a pessoa que você é”, diz.

“Eu falei para ela: ‘Se você tiver alguma forma de melhorar o que te incomoda, beleza. Mas não se auto rejeite, não se coloque para baixo, não se compare com outra mulher’”, relata.

Jojo, que anunciou recentemente que irá se submeter a uma cirurgia bariátrica, diz que a sua boa autoestima vem do exemplo familiar – ela foi criada pela avó paterna, Rita Maria. “Na minha família tem de tudo: gordo, margo, alto, baixo. E nunca teve um olhar diferente ou uma crítica”, afirma.

“Eu nunca vi uma tia falar para a outra: ‘Ah, você está gorda demais’ ou ‘você está magra demais’. Nunca teve isso na minha casa”, destaca.

Falante na maior parte do tempo, Jojo só é lacônica ao ser questionada sobre a crise no relacionamento com Lucas Souza – os dois se casaram em janeiro deste ano, e ele anunciou a separação no final de outubro.

A entrevista com a coluna foi realizada dias antes do término. Na ocasião, ela disse que estava tudo bem e que o problema que eles tinham vivido – quando ele chegou a divulgar o fim da relação, mas depois reataram – estava superado. Procurada novamente para falar sobre a nova fase solteira, Jojo disse que não iria se manifestar.

Se na vida amorosa o momento não é dos melhores, na área profissional a cantora e apresentadora está cheia de projetos. Além do Central da Copa, já está confirmada uma nova temporada em 2023 do Jojo Nove e Meia, talk show que comanda no Multishow.

Ela também vai mostrar a sua versão atriz na série “Os Parças”, do Globoplay, que já foi gravada e deve ser lançada também no ano que vem. “Foi algo totalmente diferente de tudo o que eu já fiz. Um desafio muito grande, mas eu fui com tudo e estou muito feliz”, afirma.

Há ainda a possibilidade de ela ter um quadro no Mais Você – convite que partiu da própria Ana Maria Braga. A cantora faz mistério sobre o assunto. “Não posso falar nada. Estou proibida. Mas calma, vem surpresas por aí”, diz.

Na música, depois de ter estourado com o funk “Que Tiro foi Esse”, em 2017, Jojo tem investido no pagode. Lançou um primeiro álbum em agosto deste ano, e já planeja um segundo. Sobre o projeto, não dá detalhes. Só adianta que deseja incluir uma canção de Tim Maia. “Eu sou apaixonada por ele”, conclui.

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Assuntos Jojo Todynho, Racismo
Cleber Oliveira 20 de novembro de 2022
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