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Economia

Inflação chega a 12% entre as famílias de renda muito baixa, afirma Ipea

14 de abril de 2022 Economia
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Inflação chega a 12% entre as famílias de renda muito baixa, diz Ipea (Foto: Ideme/Fotos Públicas)
Da Agência Brasil

RIO DE JANEIRO- A inflação acumulada nos últimos 12 meses atinge com mais força as famílias mais pobres e chega a 12% para aquelas com renda domiciliar menor que R$ 1.808,79. A análise foi divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), com dados que vão até março.

A variação de preços acumulada em um ano cai conforme a renda aumenta e chega a 10% entre as famílias mais ricas, que ganham mais de R$ 17.764,49 por mês. As demais faixas de renda tiveram inflação de 11,6% (renda baixa e média-baixa), 11,1%, (renda média), e 10,4% (renda média-alta).

Quando é considerado apenas o mês de março, o cenário se repete: as famílias de renda muito baixa tiveram inflação mensal de 1,74%. A variação de preços foi de 1,72% para as famílias de renda baixa; de 1,70%, para as famílias de renda média-baixa; de 1,63%, para as famílias de renda média; de 1,51%, para as famílias de renda média-alta; e de 1,24% para as famílias de renda alta.

As faixas de renda consideradas na pesquisa do Ipea são: muito baixa (menor que R$ 1.808,79), baixa (de R$ 1.808,79 a R$ 2.702,88), média-baixa (de R$ 2.702,88 a R$ 4.506,47), média (de R$ 4.506,47 a R$ 8.956,26), média-alta (de R$ 8.956,26 a R$ 17.764,49) e alta (maior que R$ 17.764,49).

A inflação oficial de março calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para toda a população brasileira foi de 1,62%, a maior para um mês de março desde a implantação do Plano Real, em 1994. Em 12 meses, o indicador acumula aumento de 11,3%.

Alimentos e transporte

O Ipea explica na análise divulgada hoje que os preços dos grupos alimentos e bebidas e transportes foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária no mês de março, sendo o primeiro mais relevante na cesta de compras das famílias de menor renda. Para as outras faixas de renda, pesaram mais os aumentos do grupo transporte, especialmente dos combustíveis.

Além de o grupo alimentos e bebidas ter sido responsável por uma pressão inflacionária relevante, dentro desse grupo foram muito afetados itens de grande relevância para as famílias de menor renda, como arroz (que subiu 2,7%), feijão (6,4%), cenoura (31,5%), batata (4,9%), leite (9,3%), ovos (7,1%) e pão francês (3,0%).

As famílias mais pobres sofreram ainda o impacto do reajuste das tarifas de ônibus urbano (1,3%) e interestadual (3%) e os aumentos de 6,6% do preço do gás de botijão e de 1,1% da energia elétrica.

Para as famílias de maior renda, a inflação foi mais impactada pelas altas de 6,7% da gasolina, de 13,7% do óleo diesel e de 8% dos transportes por aplicativo. Por outro lado, houve queda de 7,3% nas passagens aéreas e de 0,69% nos planos de saúde.

Ao analisar os últimos 12 meses, o Ipea afirma que a maior pressão inflacionária para as famílias de renda mais baixa vem do grupo ‘habitação’, no qual pesaram os reajustes de 28,5% das tarifas de energia elétrica e de 29,6% do gás de botijão.

Essas famílias também foram as que mais sentiram as altas dos alimentos em domicílio, principalmente os reajustes de 55,9% dos tubérculos, de 8,1% das carnes, de 18,9% de aves e ovos, de 13,5% dos leites e derivados e de 10,8% dos panificados.

As famílias de maior renda, por sua vez, sentiram mais a pressão dos combustíveis, como gasolina (27,5%), etanol (24,6%), diesel (46,5%) e gás natural (45,6%), além do reajuste de 42,7% do transporte por aplicativo.

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Assuntos alimentos, inflação
Redação 14 de abril de 2022
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