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Dia a Dia.

Indefinição no Fies gera financiamento privado para estudantes

19 de junho de 2017 Dia a Dia.
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Fies aumentou juros para financiamento estudantil, mas ainda é abaixo dos cobrados no mercado (Foto: MEC/Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Estudantes brasileiros estão receosos diante de possíveis mudanças no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), programa do governo federal que repassa às instituições de ensino superior o valor da mensalidade, para que o aluno pague depois de formado, com juros mais baixos que os praticados no mercado. Diante dessa possibilidade, o mercado vem testando alternativas, como o crédito estudantil financiado por outras pessoas – uma modalidade de investimento de impacto social que promete retorno maior do que alguns produtos de renda fixa.

Entre as especulações sobre o programa estão o aumento nos juros atualmente em 6,5% ao ano, e mudança no prazo de carência, de 18 meses, explica Sólon Caldas, diretor da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior). Sólon conta que a exigência de uma pontuação mínima no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e renda mínima de três salários mínimos contribui para a desistência dos alunos. A porcentagem de financiamento disponível ainda passou a ser calculada de acordo com a renda, não chegando a 100%.

O Ministério da Educação confirmou, em nota, que será divulgado um novo Fies, porém, sem data específica, pois os estudos estão em andamento.

O preço das mensalidades subiu em média 6,2% no primeiro semestre ante igual período de 2016, segundo a plataforma Quero Bolsa. O aumento ficou acima do índice de referência utilizado para reajustar salários de docentes (INPC), que em 12 meses foi de 4 6%.

Diante de um financiamento restrito e ciente da dificuldade do estudante de passar pelo crivo dos bancos, a startup de serviços financeiros Biva lançou um projeto piloto com 107 alunos que financiaram um semestre de forma integral a uma taxa de 1% ao mês. “O próprio governo dá sinalizações de que vai privatizar o Fies, ou seja, de uma forma ou de outra vai ter de ter alternativas”, conta Jorge Vargas Neto, CEO da Biva.

Os estudantes foram selecionados de acordo com nota do Enem e com a faculdade em que foram aprovados. Na hora de contratar, será preciso um fiador. Para diminuir o risco de calote e ajudar o estudante a conseguir um emprego, a Biva também oferece uma espécie de mentoria.

Os investidores têm um retorno de 1% ao mês, que pode ser maior do que no Tesouro Direto, e têm a oportunidade de experimentar o investimento de impacto social em tempos de alternativas à renda fixa tradicional, pela trajetória de queda da taxa básica de juros. Cerca de 170 investidores começaram com um aporte inicial de R$ 5 mil e um prazo de 12 meses.

Apesar do modelo aparentemente sustentável, Vargas Neto, da Biva conta que ainda não sabe de que forma o financiamento coletivo vingará – se permanecerá nos moldes atuais, para um grupo pequeno, ou se será expandido. “Para garantir suporte a mais alunos, precisaria estar atrelado a alguma das instituições de ensino, que já entraram em contato”.

O modelo é parecido com o da Prodigy Finance, plataforma americana que oferece empréstimos para estudantes financiados por uma comunidade de ex-alunos, investidores institucionais e investidores privados.

Assim como a Biva, a Prodigy, fechou parceria com a Fundação Estudar, organização sem fins lucrativos criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann. Segundo o diretor Thiago Mirtraud, a instituição tem buscado outras formas de ajudar os alunos, e uma delas é direcioná-los para financiamentos alternativos, para que não deixem de estudar.

Dificuldades

Apesar de não acreditar que haverá mudanças mais restritivas no Fies, Elizabeth Guedes, vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), defende o fim da carência para começar a pagar o financiamento. “É importante que o aluno se acostume com a ideia de que é um financiamento e não uma bolsa”, diz. Para Elizabeth, parte do calote vem do esquecimento do aluno, que não está habituado ao pagamento do financiamento. Por isso, ela aconselha que o primeiro passo deve ser a negociação de descontos direto na mensalidade.

Sônia Amaro, advogada da Proteste, alerta que o estudante deve se certificar de todas as taxas e dos valores, tanto das parcelas quanto do total, para não ter surpresas. Caso fique inadimplente, a recomendação é tentar negociar a dívida imediatamente ou procurar os órgãos de proteção ao consumidor para orientá-lo.

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Assuntos Amazonas, enem, FIES, MEC
Cleber Oliveira 19 de junho de 2017
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1 Comment
  • Guilherme disse:
    19 de junho de 2017 às 10:21

    Vivemos em um país onde a educação não é valorizada. E o futuro é certo: pessoas analfabetas. Com isso os mecanismos de ação contra a corrupção se deterioram, e então os políticos farão o que bem entendem.
    Parabéns ao ‘b’rasil sil sil…

    Responder

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