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Dia a Dia

Incêndio no Pantanal já consumiu área equivalente à cidade do Rio de Janeiro

4 de novembro de 2019 Dia a Dia
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Para combater os focos de incêndio, a Polícia Militar Ambiental tem feito fiscalizações e aplicado notificações e multas (Foto: Ibama/Divulgação)
Por Fernanda Athas, da Folhapress

CORUMBÁ – O grande incêndio que começou há dez dias na região do Pantanal em Mato Grosso do Sul já atingiu uma área de 1.200 km2 , comparável à da cidade do Rio de Janeiro.

A estimativa da destruição foi feita pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número, porém, já aumentou e tende a crescer porque ainda há focos de incêndio, segundo Fábio Catarinelli, coordenador da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul. Apesar dos esforços, não há previsão do fim do fogo.

“A situação está bem crítica, a temperatura está alta, a umidade está baixa, a vegetação está muito seca e esses fatores agravam a situação do incêndio. O fogo é voraz e até área alagada, cuja vegetação pega fogo por cima, queima muito rápido. Utilizamos um parâmetro que se chama ‘risco de fogo’, e no Pantanal ele está entre alto, muito alto e crítico”, diz Catarinell.

Devido à gravidade do incêndio, o governo estadual publicou, no último dia 31, uma resolução no Diário Oficial proibindo queimadas controladas por mais um mês, até dia 30 de novembro. Na mesma linha, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil apontou a situação de emergência das cidades de Aquidauana, Bonito, Miranda e Corumbá, todos destinos turísticos que estão prejudicados pelos incêndios e seus desdobramentos, como falta e/ou oscilação de energia elétrica, água e internet.

“O fogo está sendo controlado, mas os incêndios são dinâmicos. Enquanto houver a ação humana no início desses focos, o trabalho ficará difícil”, diz o tenente-coronel Fernando Carminati, do Corpo de Bombeiros do estado. Para combater os focos de incêndio, a Polícia Militar Ambiental tem feito fiscalizações e aplicado notificações acompanhadas de multas aos proprietários e pescadores que atearem fogo na terra.

O principal desafio para conter e apagar as chamas é a densidade da mata e as áreas alagadas. O fogo passa por cima da água, por entre as copas das árvores, e segue queimando por cima de pântanos. Bombeiros relataram ter visto animais que fugiram desesperadamente e ainda assim morreram devido a queimaduras.

Ao todo, 151 pessoas, entre bombeiros e funcionários rurais, estão mobilizadas no combate ao fogo. Em uma única propriedade, houve mais de 40 mil hectares queimados. “Os funcionários dessa e de outras fazendas foram treinados e também atuam com maquinário próprio para tentar evitar que o fogo se alastre para propriedades vizinhas”, afirma Catarinelli.

Entre esta segunda-feira (4) e a terça-feira (5) devem chegar reforços de bombeiros do DF compostos por uma aeronave capaz de transportar até 3.100 litros de água e mais 35 homens para o combate em solo. Em setembro, 30 homens da corporação já haviam sido enviados ao estado para apoiar a equipe estadual contra outro incêndio na mesma região que chegou a destruir 35 mil hectares.

“Agora a situação foi bem pior”, diz João Guilherme Venturini, sócio-proprietário do Passo do Lontra Hotel Fazenda. “Apesar de ao redor da nossa propriedade já estar tudo mais controlado, a verdade é que não sobrou nada. Ao andar no rio, as margens estão todas queimadas. Infelizmente, isso atrapalha todos e o turismo. O turista vem para ver a exuberância da nossa fauna e flora, mas, quando chega e vê quase nada em pé, tudo em cinzas, ele se frustra.”

Segundo Venturini, alguns turistas foram embora mais cedo do que o previsto por conta da destruição da paisagem pantaneira.

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Assuntos incêndio, pantanal, queimadas
Redação 4 de novembro de 2019
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