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Economia

IBGE vê recuo na inflação captada pelo IPCA, mas destaca reajustes ainda altos

9 de março de 2016 Economia
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inflacao maio
No ano passado, a taxa de inflação de fevereiro foi de 1,22% (Foto:Divulgação)

BRASÍLIA – Embora a inflação oficial no País tenha desacelerado na passagem de janeiro para fevereiro, o nível de reajustes de preços continua elevado, avaliou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 1,27% em janeiro para 0,90% em fevereiro.

“Foi um recuo bastante significativo, ainda mais se observarmos que fevereiro é o mês em que é apropriado o reajuste das mensalidades da educação”, ponderou Eulina. “Mas não significa que os preços caíram. O nível de reajustes nos preços continua alto”, classificou.

No ano passado, a taxa de inflação de fevereiro foi de 1,22%, mas houve impacto também dos aumentos nas contas de energia elétrica.

“Aliviou a aceleração (na inflação). Não aliviou o custo de vida que continua subindo, só que menos do que quando a gente compara com mês anterior”, explicou a coordenadora do IBGE.

A inflação acumulada em 12 meses diminuiu de 10,71% em janeiro para 10,36% em fevereiro, no primeiro arrefecimento registrado desde setembro do ano passado. Apenas quatro entre as 13 regiões pesquisadas no País acumulam aumentos de preços abaixo dos 10% nos 12 meses encerrados em fevereiro.

“Varias regiões estão acima dos 10%. Significa que o custo de vida aumentou, ainda que tenha havido desaceleração dos preços de janeiro para fevereiro”, disse Eulina.

Demanda

Para o IBGE, o arrefecimento na demanda dos consumidores já começa a se refletir em altas mais modestas de preços na inflação medida pelo IPCA. Segundo Eulina, o movimento pode ser percebido pela primeira vez no IPCA de fevereiro. Por ter caráter inicial e ocorrer em meio a outras pressões altistas – como o câmbio e problemas climáticos -, ainda não é generalizado entre os itens pesquisados.

“Já há reflexos da demanda sobre os preços”, confirmou Eulina. “(A demanda fraca) Já tem se mostrado através dos dados de comércio varejista, tem se mostrado na indústria e tem se mostrado inclusive no setor de serviços”, lembrou ela.

Itens que já registraram aumentos menores ou até queda de preços por conta de alguma relação com a demanda mais fraca foram as passagens aéreas, alimentação fora de casa, motel, hotel, serviços médicos e dentários e até alguns alimentos, como as carnes.

“Nas carnes, a arroba favorável aos pecuaristas e a exportação estão facilitando a manutenção dos preços. Mas o mercado interno começa a reagir. As pessoas reduzem o consumo de carne, ainda mais nessa época próxima à Páscoa, e aumentam o de frango e carne suína”, explicou Eulina.

Outro item que aumentou menos do que o esperado este ano por conta de cautela em relação à demanda foi a mensalidade escolar. O reajuste dos cursos regulares ficou em 7,43% em fevereiro, patamar semelhante ao verificado em anos anteriores no mês de fevereiro.

Os aumentos praticados nessa época do ano nas mensalidades costumam pelo menos repor a inflação acumulada no ano anterior. Segundo Eulina, como o IPCA teve alta de 10,67% em 2015, esse reajuste ficou aquém da inflação e mostra uma cautela maior do setor educacional em repassar o aumento de custos.

“O que estamos vendo neste ano são até algumas reduções em relação ao ano anterior. Há muitas negociações de pais de alunos no sentido de reduzir o próprio reajuste, dadas as dificuldades em termos de desemprego e tudo mais”, explicou Eulina.

Em fevereiro de 2015, os cursos regulares subiram 7,24%, contra uma inflação de 6,41% acumulada pelo IPCA no ano anterior. Em fevereiro de 2014, a alta nos cursos regulares foi de 7,64%, ante um IPCA acumulado de 5,91% em 2013.

“Tem muita gente saindo de escola particular para escola pública muita gente saindo de cidades grandes para cidades menores, onde tem escolas com preços mais baixos. E há também muito professor de escola particular sendo demitido”, acrescentou a coordenadora do IBGE.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Amazonas Atual, IBGE, inflação, IPCA
Valmir Lima 9 de março de 2016
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