
Por Julia Queiroz, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O escritor húngaro László Krasznahorkai ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2025. O anúncio foi feito pela Academia Sueca, responsável pela honraria, na manhã desta quinta-feira (9).
A honraria foi concedida ao autor “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”, conforme anunciou a instituição.
O Nobel de Literatura é concedido a um autor pelo conjunto de sua obra. O vencedor leva 11 mil coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões na cotação atual.
Tradicionalmente, os organizadores do prêmio ligam para o escolhido antes do anúncio oficial. Durante o anúncio, Mats Malm, secretário permanente e porta-voz da Academia Sueca, disse que tinha acabado de falar com László Krasznahorkai por telefone, “durante uma visita a Frankfurt, onde ele estava.”
Vida e obra de László Krasznahorkai
Nascido em Gyula, na Húngria, em 1954, Krasznahorkai estreou na literatura em 1985 com Satantango, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. A obra, chamada de “visionária” e “monstruosa”, acompanha a chegada de um homem misterioso a uma espécie de assentamento rural húngaro.
O livro venceu um prêmio de melhor livro traduzido para o inglês décadas depois, em 2013. Satantango também deu origem a um filme de sete horas e meia, de 1994, do cineasta húngaro Béla Tarr, com quem Krasznahorkai manteve uma parceria criativa.
A Academia Sueca classificou o autor como um escritor épico da tradição literária da Europa Central, que vai de Kafta a Thomas Bernhard, e é caracterizada pelo ”absurdo e pelo excesso grotesco”. O trabalho de Krasznahorkai é comumente descrito como pós-moderno, distópico e melancólico.
Krasznahorkai deixou uma Húngria ainda sob o regime soviético em 1987, quando passou um ano na Berlin ocidental com uma bolsa de estudos e foi inspirado por países do leste asiático. Nos anos seguintes, ele publicou livros como The Prisoner of Urga (1992), que acompanha a jornada de um homem pela ferrovia transiberiana da Mongólia à China.
Em 2015, o escritor recebeu o celebrado Man Booker International Prize por sua contribuição para “a ficção no cenário mundial”. Na ocasião, os jurados do Booker elogiaram suas “frases extraordinárias, frases de comprimento inacreditável que vão a extremos inacreditáveis, com seu tom mudando de solene para enlouquecido, de irônico a desolador, à medida que seguem seu caminho errante”.
