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MANAUS – Hábitos saudáveis de vida são determinantes para a boa gestação e saúde da mãe e do bebê. Influenciam na fertilidade da mulher, na gravidez e no nascimento da criança.
“Planejar a gravidez com antecedência reduz muito os riscos. Exames laboratoriais ajudam a identificar possíveis desequilíbrios ou doenças silenciosas. A gente analisa tudo: anemia, função da tireoide, infecções silenciosas, e até sorologias importantes para proteger o bebê”, diz o ginecologista e obstetra Leonardo Gobira.
Também são indicados exames ginecológicos como papanicolau, colposcopia, ultrassonografia transvaginal e, se necessário, histerossalpingografia. Avaliações complementares como espermograma e testes genéticos podem ser solicitadas conforme o histórico do casal.
O médico, que faz parte da diretoria do Conselho Regional de Medicina do Amazonas, explica que outro pilar fundamental é a alimentação associada à suplementação, especialmente com ácido fólico para prevenção de defeitos no sistema nervoso do bebê e deve ser iniciado no mínimo um mês antes da gravidez.
“A dose recomendada de ácido fólico é de 5 mg por dia. A mulher precisa estar com reservas nutricionais adequadas. Ferro, ácido fólico, cálcio, ômega-3, zinco… tudo isso faz diferença no desenvolvimento fetal”, orienta.
Para Leonardo Gobira, o estilo de vida antes e durante a gestação é fundamental para uma gravidez saudável. “Esse é o momento de parar com o cigarro e o álcool. Além disso, reduzir o estresse, dormir bem e praticar atividade física leve são atitudes que ajudam muito na regulação hormonal e na preparação do corpo. Evitar dietas restritivas, manter boa hidratação e priorizar o equilíbrio emocional também entram na lista de recomendações”.
Imunização vacinal
O obstetra orienta para a atualização de vacinas que são fundamentais antes da gravidez. “A tríplice bacteriana, por exemplo, deve ser aplicada pelo menos 30 dias antes da concepção. Outras, como hepatite B, gripe e dTpa, também são indicadas. Elas protegem a mãe e o bebê”, alerta.
Casais que enfrentam perdas gestacionais recorrentes também devem buscar avaliação especializada. “Quando a mulher teve duas ou mais perdas gestacionais, a gente precisa investigar a fundo. Pode ser uma questão genética, hormonal, imunológica e, muitas vezes, essas causas têm tratamento. Não é para perder a esperança”, reforça o médico.
Leonardo Gobira diz que a investigação pode incluir cariótipo do casal, avaliação da função tireoidiana, testes para síndrome do anticorpo antifosfolípide e análise da progesterona, além de exames anatômicos e infecciosos.
“Em alguns casos, indicamos o uso de progesterona no primeiro trimestre, ou levotiroxina para regular a tireoide. Quando há risco de trombose, usamos anticoagulantes como AAS e enoxaparina. Tudo com muito critério e acompanhamento. É muito comum a mulher ter medo de uma nova perda ou de não conseguir engravidar. Por isso, o acompanhamento psicológico pode ser muito importante. A gente cuida do corpo, mas também precisa acolher as emoções”, completa.
Pós-parto
Depois do nascimento, os cuidados também são necessários. Alimentação equilibrada, repouso adequado, atenção à saúde mental e orientação sobre métodos contraceptivos também fazem parte da rotina pós-parto; enfatiza Gobira.
“Depois do parto, é essencial respeitar o tempo do corpo, cuidar dos pontos, da alimentação e da amamentação. A consulta de puerpério deve acontecer logo nos primeiros dias e ajuda a evitar complicações”, afirma o obstetra.
Os primeiros cuidados com o recém-nascido também exigem atenção. “A amamentação, os testes de triagem, a vacinação e o cuidado com o coto umbilical são prioridades nos primeiros dias de vida. Qualquer sinal de alerta, como febre, sonolência excessiva ou dificuldade para mamar, deve ser avaliado”, conclui.
