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Fatima Guedes

Hábito de mentir: memórias de Petchebatã

2 de junho de 2023 Fatima Guedes
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Discursos estratégicos se transformam em gostoso veneno. Poderosíssimas mentiras são nutrientes indispensáveis no sustento de nulidades políticas, de mitos, dogmas, preconceitos colonialistas e no desenvolvimento de organismos parasitários.

Rua de Parintins
Ruas abandonadas há décadas em Parintins, cidade premiada pelo nível de “mobilidade urbana”. Aplica Petché! (Foto: Floriano Lins)

O tempo da venalidade universal anunciado por Marx chega ao ápice. Perspectivas dialógicas vagueiam indefinidas sobre o caos sistêmico determinista, logo expressar indignação, anúncios, denúncias sem perder a ternura tornaram-se desafios. Não é tão fácil açucarar o discurso quando a alma sangra; quando a vida é apunhalada por injustiças diversas, no entanto, o tempero acridoce se faz necessário, haja vista, o real sentido da literatura é provocar mergulhos no universo das ideias, e trazer à boia rumos transformadores. Por essa via, cascavilhei resíduos de memórias que, conforme Manuel Bandeira, chegassem pela boca do povo e, assim, adocicar a acidez conjuntural permitindo-me metaforizar/filosofar (?), enfim, rir e disfarçar o pranto.

Afinal, quem é Petchebatã? É uma alegoria, um território platônico: reino dos céus para pobres desvalidos e império político para ricos e oportunistas. É isso: uma freguesia amazônida, situada na calha central do rio. Custa caro chegar e viver aqui. sem contar caminhos tortuosos, paisagens sinistras, coisas que arrepiam os cabelos…

A denominação é soma do trágico/pitoresco a partir de memórias humorísticas deixadas por um antigo morador originalmente popular, conhecido como Petché: uma figura folclórica que se destacava pela fala nativa e por histórias ricas em fantasias; buscava no humor ingênuo um significado menos doloroso para a existência vazia em que mergulhava a freguesia.

Vez por outra, Petché sumia. Fazia bicos nas embarcações, servia a um, a outros e, assim, ganhava roupas, tênis, mochilas, relógio de pulso… Quando bem arranjado, retornava feliz esbanjando superioridade. Se indagado sobre o sucesso e a boa aparência, justificava sem timidez:

– Consegui um emprego como sargento da polícia. Tô ganhando bem. Recebi as férias e resolvi visitar minha terra. Volto no outro mês para ocupar meu posto.

 – Aplica, Petché! Gracejavam seus interlocutores, cientes de que, em um mês, a grana acumulada já era!

Outra vez, Petché ficou horas contemplando uma frondosa mangueira em cujos galhos a periquitada fazia festa. Nisso, um passante o questiona sobre o motivo da contemplação… Petché não titubeou: – O periquito da mamãe fugiu com gaiola e tudo. Acho que está engatado em algum galho torto… O curioso embarca no humor: – aplica, Petché! E lá se foi controlando o riso, desintoxicando as emoções.

Dessa forma, Petché descontraía, amenizava fardos, problemas, opressões… tirava qualquer sisudo(a) do sério e preenchia os vazios de cidadão desocupado. E assim, Petché virou sinônimo de mentiroso, loroteiro… Outro elemento que dá origem ao nome da freguesia vem do tupi, /ba’tã/, variante de /ma’tã/: aquele que come… Logo, Petchebatã se alimenta de mentiras e fantasias.

Petchebatã é rica de causos que fazem rir e chorar: um jogo de ser e não ser. Discursos estratégicos se transformam em gostoso veneno. Poderosíssimas mentiras são nutrientes indispensáveis no sustento de nulidades políticas, de mitos, dogmas, preconceitos colonialistas e no desenvolvimento de organismos parasitários.

Como tantos, Petché sumiu da freguesia… Ninguém sabe informar o paradeiro. No entanto, quando a máscara do enganador cai por terra, lá boia Petché e nos permite o diálogo com Jesus de Nazaré sobre a corja de malfeitores que seempodera às custas da exploração de desvalidos(as).

É inegável que a confraria de pechés abundou bastante nas gestões, nas câmaras, assembleias, secretarias, conselhos, coordenadorias e assessorias de estados e municípios. A memória ativa da população deve lembrar de discursos e respectivas promessas em tempos de eleições: período em que as falácias alcançam o âmago do analfabetismo político-social da cabocada dependente. A discursalha promete qualidade de vida com saúde, moradia, saneamento básico, política ambiental, emprego e renda… quase não se fala em concurso público. Pudera! É um forte adversário político no controle do voto de servidores encabrestados.

Um recente clamor, de interesse público, veste fantasias e entra sutilmente no balanço dos bois – a Conferências de Saúde: Garantir direitos e defender o SUS, a Vida e a Democracia. Amanhã será outro dia. O Brasil que temos e o Brasil que queremos. Em tese, o tema da Conferência conflita com o real-concreto das (des) atenções básica e plena da saúde dita pública. O conflito começa nas UBs: da ausência de insumos básicos a aparelhos de pressão arterial (com defeitos)! Além do despreparo de recepcionistas…  Em ritmo de dois pra lá; um pra cá, os meios de comunicação de massa assumem a contaminação das mentes, das emoções e de toda uma realidade social. Tudo vira fantasia: saneamento básico, animais, sossego público, trânsito, acessibilidade a bairros periféricos e etc…

Sim… Importante! Na época, Petché fora demitido do emprego por distrair a companheirada com fantasias diversas. Invocado! A regra não se aplica à petchezada oficiosa, sedutora das massas… Pelo contrário: aposentam-se com amplas vantagens e se eternizam como heróis! – Aplica, Petché!  

É bom lembrar: a freguesia em pauta já foi da rainha, da imperatriz; hoje é de quem petcheca astuciosamente. Conforme Mestre Nietzsche: Somos, até a medula e desde o começo – habituados a mentir.

Falares da casa

Bicos – prática da mais valia presente na cotidianidade do exército de reserva.

Cascavilhei – procurei bastante

Periquitada – bando de periquitos (brotogereris tirica)


Fátima Guedesé educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia. Uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS). Autora das obras literárias, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos dogmas, mentiras, mitos, Preconceito
Valmir Lima 2 de junho de 2023
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