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© 2022 Amazonas Atual
Sem categoria

Genocidas

8 de janeiro de 2018 Sem categoria
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O assalto aos cofres da saúde no Brasil resulta em verdadeiro genocídio. Mata-se por atacado e de forma indiscriminada. As maiores vítimas são os mais pobres, que precisam realmente socorrer-se dos serviços públicos de assistência médica, hospitalar e ambulatorial.

O sistema é caótico. Falta tudo, esparadrapo, gaze, mercúrio e medicação básica. Os prédios, verdadeiros pardieiros, caem aos pedaços. E os que conseguem se manter em pé, ainda assim, escandalizam pela aparência.

Sem condições mínimas de funcionabilidade, o atendimento é o pior possível. Tem-se um retrato cruel da saúde, que pode ser visto nas filas de consulta médica madrugada adentro e em macas estendidas nos corredores dos hospitais e prontos-socorros, em todas as regiões do país. Há um círculo vicioso realimentado pela estrutura extremamente precária posta à disposição dos usuários. Quando chegam nas três esferas da Federação, os recursos são sempre insuficientes, porquanto reajustados em progressão aritmética, enquanto a demanda cresce e acelera em índices incontrolados e geométricos.

O Sistema Único de Saúde (SUS), implantado com a Constituição de 1988, foi uma ideia excelente. Sem dúvida nenhuma, um projeto extraordinário. Ao propiciar acesso democrático, integral, universal e gratuito aos serviços de saúde, em especial aos que mais necessitam, deu um grande salto no sentido de melhorar a existência de milhões de   brasileiros. No entanto, há desafios permanentes que precisam ser enfrentados, em relação ao gerenciamento do sistema e no que diz respeito ao financiamento da saúde.

Uma miríade de atividades no SUS, com consultas, exames, internações, fornecimento de medicamentos e campanhas de vacinação, exigem verbas que necessitam de atualização permanente. No entanto, o sistema entra sempre em desvantagem ou em colapso, com déficits orçamentários que se projetam por anos a fio, fato que impossibilita sejam alcançadas as metas projetadas e que deram razão à própria implantação do SUS. Em consequência, vê-se um conjunto de serviços sucateados, sem operacionalidade mínima e com carências de toda sorte, sob os aspectos materiais e humanos.

Como se não bastasse as mazelas e deficiências do setor, mais grave, assalta-se o que já é insuficiente, rouba-se do miserável. Retira-se dele o único bem que ainda conserva, mesmo aos trancos e barrancos, a vida. Os genocidas da saúde pública não encontram limites, agridem e corrompem, sem o mais remoto sentimento humano de compaixão. Deixam um rastro de sangue e de morte por onde passam, sem considerar o desespero e as lágrimas de milhões de famílias destruídas pelo infortúnio do assassinato em série.

O que agora ocorre no Amazonas, com um ex-governador, sua mulher e quatro ex-secretários presos, acusados de participarem de um gigantesco esquema de apropriação criminosa de dinheiro da saúde, não representa nenhuma exclusividade do Estado. Ao contrário, as ações delituosas espraiam-se pelo Brasil afora, como também se pode observar no Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral e seu secretário de Saúde recolhidos ao presídio especial de Benfica. Na segunda capital do país, a violência da corrupção fez a antiga sede da República mergulhar na insolvência absoluta, na quebra geral, independente de ter deixado em frangalhos os já então péssimos serviços de saúde, além de todos os demais.

Assassinato em massa, uma tragédia brasileira, de largas e funestas proporções. Pelo amor de Deus, até quando?

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Assuntos Amazonas, corrupção, desvio de dinheiro, rio de janeiro, saúde, Sistema Único de Saúde, sucateamento, SUS
Valmir Lima 8 de janeiro de 2018
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