
Do ATUAL
MANAUS – A formação para a vida cristã na Amazônia deve estar baseada também em temas ambientais e levar em consideração a diversidade de culturas, línguas indígenas e diferentes ambientes da Região Norte, defende o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus.
“Uma catequese mais inculturada (adaptação de uma cultura a outra) deve respeitar as línguas dos diversos povos que compõem a Amazônia. Então, a inculturação busca levar-nos mais à questão do meio ambiente. A catequese teria que abordar sempre de novo essa questão da obra criada e a obra a ser cuidada”, diz o cardeal, após participar do Primeiro Nortão de Catequese realizado em Castanhal (PA), no fim de semana, com presença dos bispos da Amazônia.
Para os católicos, a catequese é a “introdução à vida cristã” com ensinamentos bíblicos, morais e a oração. Na Região Norte deveria incluir também temas ambientais, defende o arcebispo.
“Olhar a obra criada como obra a ser cuidada, como nós pertencemos a essa obra criada por Deus e que essa obra foi entregue aos nossos cuidados. Talvez seja isso que falta, especialmente para nós que estamos na Amazônia. Nós sabemos da importância que o meio ambiente tem para a vida humana, para todo o Brasil e para o mundo”, diz Leonardo Steiner.
Para o arcebispo, os temas ambientais devem fazer parte da formação cristã e da vida de cada pessoa e a “igreja na Amazônia” deveria dar passos mais rápidos para levar à reflexão a todos os brasileiros.
“Nós já tivemos várias campanhas da fraternidade abordando, aprofundando essa questão do meio ambiente. Na última campanha da fraternidade refletimos de novo, rezamos, aprofundamos, e eu espero que isso esteja cada vez mais presente na nossa vida, ao menos nas reflexões e debates. Nós sabemos dessa responsabilidade e a catequese desperta para essa responsabilidade comum”, diz o cardeal.
Para o arcebispo, os elementos da formação cristã devem estar compostos também de experiências dos povos originários, ribeirinhos e de pessoas que vivem nas cidades.
“Existem diversas experiências muito bonitas e significativas. Em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, por exemplo, teve um padre que faleceu este ano, que realmente inculturou a catequese. Os catequistas (formadores) são todos indígenas, mas dentro de um horizonte de leitura da cultura xavante. É muito bonito, mas existem outras experiências. E essas experiências estão sendo recolhidas porque cada cultura tem um jeito de pensar”, diz Steiner.
“Em Manaus temos exemplos de experiências de inculturação com celebrações cristãs com os cantos todos em tucano. As pessoas falam na sua própria língua. Recolher essas experiências que já estão sendo feitas é muito importante para a evangelização. Agora, como dar os passos seguintes é que certamente nós teremos que tratar em outros encontros”, complementa o cardeal.
