
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou, nesta sexta-feira (10), o envio de agentes da Força Nacional de Segurança Pública ao Amazonas para apoiar o governo estadual nas ações de combate ao crime organizado, ao narcotráfico e aos crimes ambientais, nas calhas dos rios Negro e Solimões, pelo prazo de 90 dias.
A medida consta em portaria assinada pelo secretário-executivo da pasta, Antônio Ramirez Lorenzo, e é adotada no momento em que forças de segurança realizam as buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, que estão desaparecidos deste domingo (5) no Vale do Javari, no sudoeste do Amazonas.
Na quarta-feira (8), ao anunciar a criação de um gabinete de crise para reforçar as buscas, o delegado Eduardo Alexandre Fontes afirmou que a região é “bastante perigosa”. “É uma região onde há, sim, uma criminalidade intensa. O tráfico de drogas transicional talvez seja o mais forte ali, sobretudo, em razão da faixa de fronteira com Peru e Colômbia”, disse Fontes.
O delegado também mencionou a existência de crimes ambientais na região. “Nós sabemos também de garimpo ilegal, exploração ilegal de madeira, pesca ilegal. (…) Nós, da Polícia Federal, temos inquérito instaurado para apurar as organizações criminosas que atuam nessa região dedicadas ao tráfico de drogas e esses crimes transfronteiriços”, afirmou Fontes.
A Portaria nº 99, de 9 de junho de 2022, no entanto, não cita o caso dos desaparecidos. Apenas “autoriza o emprego da Força Nacional de Segurança Pública em apoio ao Governo do Estado do Amazonas, na Operação Arpão I (Médio Solimões), em ações de combate ao crime organizado, ao narcotráfico e aos crimes ambientais, na calha do Rio Negro e Solimões”.
Os agentes atuarão por 90 dias “em atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado”. Conforme a portaria, o contingente a ser disponibilizado será definido pela Diretoria da Força Nacional.
Desaparecidos
O indigenista e o jornalista desapareceram no domingo (5), no Vale do Javari, no Amazonas, quando voltavam para a cidade de Atalaia do Norte, no sudoeste do estado. Na noite do dia 3, eles chegaram ao Lago do Jaburu para uma missão e retornariam no dia 5 para Atalaia do Norte, mas pararam na comunidade São Rafael e, desde então, não foram mais vistos.
Nesta quinta-feira (9), a juíza Jacinta Santos, da Comarca de Atalaia do Norte, decretou a prisão temporária de Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, conhecido como “Pelado”, preso em flagrante na terça-feira (7) por porte ilegal de munição de uso restrito em uma embarcação na região onde o indigenista e o jornalista desapareceram.
Peritos que trabalham na investigação encontraram vestígios de sangue na embarcação de Pelado, coletaram o material e encaminharam para análise em Manaus. De acordo com o Departamento de Polícia Técnico-Científica, com o uso de luminol os peritos buscam descobrir se há digitais deixadas na lancha, tanto pelo suspeito quanto pelos tripulantes.
Leia a portaria do Ministério da Segurança Pública:

