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Dia a Dia

Floresta Manaós é refúgio silvestre urbano ainda intacto em Manaus

14 de setembro de 2024 Dia a Dia
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Vista aérea das instalações da Ufam em Manaus: presença em ranking mundial (Foto: Ufam/Divulgação)
Vista aérea das instalações da Ufam na Floresta Manaós: refúgio urbano da vida silvestre (Foto: Ufam/Divulgação)
Por Milton Almeida, do ATUAL

MANAUS – A Floresta Manaós, entre as zonas sul e leste de Manaus, é um dos poucos refúgios silvestres urbanos preservado na capital amazonense. Mesmo com ocupação humana, a divisão entre área federal e municipal contribui para a conservação. Na parte da União está instalada a Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e na do Município o Conjunto Acariquara.

É um lugar em que é fácil perceber a “minimização da poluição e do estresse”, diz o pesquisador americano Mário Cohn-Haft, doutor em Zoologia e morador do Acariquara. “Sou extremamente grato pela existência desse fragmento florestal urbano preservado”, diz.

Mário nasceu nos Estados Unidos e aos 25 anos de idade veio para Manaus. Escolheu o Acariquara como endereço fixo. Com árvores por todos os lados e um extenso lago, hoje sem água devido à seca severa, o local é seu habitat de pesquisa em Ornitologia (o estudo das aves).

“Destaco que já foram registradas mais de 200 espécies diferentes de pássaros no conjunto (Acariquara). Isso se deve à conexão da vegetação com a mata da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Tucanos, araras, sabiás, gaviões, bacuraus, corujas e urutaus convivem com a gente, trazendo qualidade para nossas vidas e ainda estimulando a pesquisa”, diz Mário, em português fluente.

Buritizal no Lago Acariquara; habitat de pássaros em área urbana (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Buritizal no Lago Acariquara; habitat de pássaros em área urbana (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)

Cohn-Haft diz que foi “contaminado” pela “topofilia”, a influência que determinados lugares, espaços, ou paisagens provocam no estado de ânimo de pessoas nas grandes cidades.

“O Lago do Acariquara tem um apelo especial como lugar de contemplação e atrativo para animais aquáticos, como peixes, jacarés, garças e socós. Até raridades na área urbana como o pavãozinho-do-pará e o patinho-do-igapó (picaparra) aparecem as vezes. O buritizal no lago atrai pássaros especiais também, como o maracanã-do-buriti e o andorinhão-do-buriti”, cita o pesquisador.

Esse “fragmento de floresta” urbana tem uma área total de 759,15 hectares, o equivalente a mais de 700 campos de futebol, está classificada como APA (Área de Proteção Ambiental), criada pelo decreto nº 1503, de 27 de março de 2012, Área de Proteção Ambiental Floresta Manaós.

Cutia atravessa tranquila rua no Conjunto Acariquara; convivência com humanos (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Cutia atravessa tranquila rua no Conjunto Acariquara; convivência com humanos (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)

“Essa área tem fragmentos florestais já consolidados. E esses fragmentos prestam serviços relevantes, é habitat para espécies de animais e também para a flora. E nos permite fazer conectividades com a educação ambiental e com a recuperação de áreas degradas. É uma área importante para Manaus”, afirma Antonio Stroski, secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

A APA Floresta Manaós constitui os territórios da Ufam, parte do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), Residencial Eliza Miranda, Lagoa do Japiim e Conjunto Acariquara.

Biofobias e ameaças

Ao mesmo tempo em que é refúgio para animais e fonte de pesquisa, a floresta também tem fragilidades. A principal é a falta de segurança, que favorece o uso do espaço como esconderijo para criminosos e gera insatisfação em alguns poucos moradores.

“infelizmente, tem moradores que escolhem morar aqui e são inimigos da natureza, consideram que as árvores podem esconder assaltantes, as folhas sujam o chão, morrem de medo dos animais silvestres”, diz a bióloga Dayse Campista, também residente do local.

Pássaros recém-descobertos habitam refúgio urbano (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Pássaros recém-descobertos habitam refúgio urbano (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)

A pesquisadora diz que a floresta também está sujeita a desmatamento e retirada de areia do entorno. “Houve pressão para construção de um posto de gasolina numa área que está ligada à Avenida André Araújo. Mas as ações ativistas dos moradores fizeram pressão e não permitiram”, lembra.

Em julho do ano passado, o PL (Projeto de Lei) nº 582/2001 do vereador Diego Afonso (União Brasil) queria alterar a demarcação da floresta para a construção de um posto de combustível no local. A proposta havia sido aprovada um mês antes pela CMM (Câmara Municipal de Manaus).

“No Acariquara tem moradores comprometidos com o meio ambiente, muitos biólogos, professores universitários e pesquisadores. Todos sempre alertas para ajudar a manter a qualidade de vida desse paraíso”, diz a carioca Dayse.

A região é a terceira maior floresta nativa urbana do país e o habitat de inúmeras espécies vegetais e animais, como pacas, preguiças, e o sauim-de-coleira.

Lago na Floresta Manaós também abriga jacarés (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Lago na Floresta Manaós também abriga jacarés (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)

Para o geógrafo Marcos Castro, da Ufam, a vegetação urbana, as áreas verdes ajudam a “atenuar o clima” em Manaus que tem temperatura média de 36ºC. Ele defende uma política de arborização.

“Sabe-se que a floresta captura carbono e emite oxigênio. As áreas verdes vão além da estética, é algo necessário, portanto, devem ser preservadas. Infelizmente, não temos uma política de parqueamento, de arborização. Então, essas áreas devem ser respeitadas e preservadas”, afirma.

Árvores de várias espécies são fontes de pesquisa na Floresta Manaós (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Árvores de várias espécies são fontes de pesquisa na Floresta Manaós (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)

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Assuntos Acariquara, APA, Floresta Manaós, floresta urbana, manchete
Milton Almeida 14 de setembro de 2024
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1 Comment
  • Wyller de Sousa disse:
    15 de setembro de 2024 às 17:56

    É muito triste saber que um cara que nem é brasileiro tem respeito pela região. Enquanto os manauras jogam lixo na rua e igarapés. Obrigado, povo manauara, por ser um povo vendido para cultura externa e não preservar sua região.

    Responder

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