
Do ATUAL
MANAUS — Apesar de vestir e posar para fotos com uma camisa estampada com a frase “100% Zona Franca” durante agenda em Manaus, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) não compartilhou o momento em suas redes sociais.
A visita à capital amazonense ocorreu na sexta-feira (11), quando Flávio esteve na fábrica da Moto Honda da Amazônia, no Distrito Industrial, e defendeu a Zona Franca de Manaus, modelo que classificou como “sagrado”.
“Hoje, eu posso falar que a Zona Franca não é mais de Manaus, é do Brasil inteiro. É algo sagrado, que a gente tem que melhorar cada vez mais”, afirmou Flávio em entrevista a jornalistas.
O candidato também fez questão de destacar a frase estampada na camisa. “Eu visto aqui essa camisa, que é 100% Zona Franca de Manaus”, disse.
As fotos em que Flávio aparece vestindo a camisa foram publicadas apenas por aliados locais, como a candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair e o candidato ao Senado Capitão Alberto Neto.
No X (antigo Twitter), Flávio publicou apenas uma foto de um evento com aliados e apoiadores realizado à noite, na zona oeste de Manaus. Na legenda, escreveu: “Manaus 11.09.26. O Brasil vai vencer!”.
No Instagram e no Facebook, não houve registro da passagem do candidato por Manaus. As publicações mais próximas foram vídeos de atos políticos realizados em Boa Vista (RR), na quinta-feira (10), e em Belém (PA), na segunda-feira (14).
Flávio integra um grupo político que já adotou posições contrárias a benefícios da Zona Franca de Manaus. Durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, medidas adotadas pelo governo federal reduziram benefícios fiscais que atingiam a competitividade do modelo.
Em novembro de 2023, após o relator da reforma tributária no Senado, Eduardo Braga (MDB), rejeitar uma emenda que favorecia o estado do Rio de Janeiro, Flávio criticou benefícios destinados à Zona Franca de Manaus, responsável pela geração de cerca de 100 mil empregos diretos no Amazonas.
“Se essa emenda que mantém o caráter competitivo do Rio de Janeiro e garante sua própria existência não pode ser aprovada, a gente também tem que discutir que não pode estar no texto da PEC dispositivos que dão à Zona Franca de Manaus mais benefícios do que ela possui hoje”, disse Flávio.
“Traduzindo: Manaus tem que ser o novo Vale do Silício, e o resto do Brasil uma Argentina, já que as indústrias de todo o país vão para a Zona Franca de Manaus por causa do custo baixo de produção, ou serão incentivadas a adquirir as matérias-primas no Amazonas. Isso pode causar desemprego no Brasil inteiro, exceto no Amazonas”, afirmou o candidato.
Leia mais:
