
Do Atual
MANAUS – A Fiocruz confirmou os primeiros casos humanos de encefalite equina venezuelana (conhecida pela sigla VEEV) no Amazonas. Três pessoas — dois homens e uma mulher — foram diagnosticadas na região do Alto Solimões, em Tabatinga (a 1.114 km da capital), na tríplice fronteira com Colômbia e Peru. O monitoramento dos pacientes ocorre no SUS (Sistema Único de Saúde).
A encefalite equina venezuelana é uma doença viral causada por um alphavirus transmitido por mosquitos que afeta tanto humanos quanto equinos. Nos casos mais graves, provoca inflamação no cérebro que pode deixar sequelas motoras, cognitivas, comportamentais ou emocionais. Apesar do risco, a maioria das infecções em pessoas ocorre de forma semelhante a uma síndrome febril aguda e se resolve sem complicações.
Segundo o virologista Felipe Gomes Naveca, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), trata-se da primeira detecção do vírus em moradores de Tabatinga. O diagnóstico foi confirmado por sequenciamento genético. “Nossos achados identificam o VEEV como uma causa subdiagnosticada de doença febril aguda na Amazônia brasileira”, afirmou o pesquisador.
No último dia 14, durante o II Encontro da Rede Genômica da Fiocruz, Naveca expôs a descoberta para alertar sobre a importância da vigilância genômica de vírus emergentes e negligenciados na Amazônia.
