
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Os farsantes que tentam negar a tentativa de golpe ocorrida no Brasil, cujo ápice ocorreu em 8 de janeiro de 2023, afirmam que “não houve golpe”, mas uma baderna promovida por manifestantes exaltados, em Brasília. Alguns são, de fato, desinformados, mas a maioria dessas pessoas está apenas tentando escamotear a verdade, e omite fatos relevantes que levaram a justiça a condenar centenas de pessoas que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, assim como os artífices da trama golpista, chefiada por Jair Bolsonaro.
Neste 8 de janeiro de 2026, o terceiro aniversário da tentativa de golpe, é oportuno relembrar os fatos para aqueles que precisam de argumentos para contrapor as falas dos farsantes.
A trama golpista não é o 8 de janeiro. Ela começa muito antes das eleições de 2022, quando os que governavam o Brasil começaram a mostrar preocupação com a sucessão presidencial, especialmente em função da popularidade do agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula deixou a cadeia no dia 8 de novembro de 2019, depois de passar 580 dias preso, e começou a preparar-se para a disputa eleitoral. As pesquisas de opinião o colocavam como favorito, o que passou a assombrar o bolsonarismo e o Palácio do Planalto, ocupado por Jair Bolsonaro e seus asseclas.
Bolsonaro tomou a iniciativa de mover uma campanha de desmoralização da Justiça Eleitoral, colocando a urna eletrônica sob suspeição. A intenção era criar um factoide que justificasse o questionamento do resultado das eleições, em caso de derrota. Mas não ficou só nisso. Em reunião gravada e cuja gravação foi usada no processo que levou o Bolsonaro à cadeia, ficou claro que parte dos membros do governo queriam “uma virada de mesa” antes das eleições.
Depois da derrota nas urnas, os membros do governo ainda tentaram a tal “virada de mesa”, que na prática significava não aceitar o resultado das urnas e atuar para manter o mandatário no poder, no caso, Bolsonaro. Durante esse período entre a eleição e a posse de Lula, houve, inclusive, um plano para matar o então presidente eleito, o seu vice, Geraldo Alckmin, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes.
Por falta de apoio de alas das Forças Armadas (só o ministro da Marinha de Bolsonaro estava fechado com ele), o plano fracassou. Antes da posse, no dia da diplomação de Lula, a Polícia Civil do Distrito Federal encontrou um caminhão-tanque com explosivos nas proximidades do aeroporto de Brasília. No mesmo dia, manifestantes bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal na capital do País.
Bolsonaro deixou o país antes da posse, e fugiu para os Estados Unidos, de onde acompanhou os desdobramentos das tensões criadas por aliados dele, que financiaram e mantiveram acampamentos nas portas dos quarteis do Exército em diversas capitais do País, com o apoio de generais, que se recusavam a retirar os manifestantes dos locais, transformados em privadas a céu aberto.
O 8 de janeiro de 2023 foi o último ato da trama golpista. O golpe derradeiro contra a democracia. Os manifestantes não estavam ali para uma simples manifestação. Foram decididos a quebrar tudo, criar um fato que gerasse a reação dos quartéis. Eles acreditavam que tinham o apoio necessário para uma intervenção militar e a consequente volta de Bolsonaro ao poder.
De novo, a tentativa de golpe deu errado. Mas o crime não deixou de ser cometido. É elementar, mas necessário repetir que o crime é de tentativa de golpe, porque se o golpe é concretizado, não há quem possa julgar os vencedores, que passam a ditar as regras. Isso mesmo, ditar, de ditadura.
E Bolsonaro é um filhote da ditadura de 1964, apoiador de torturadores da mesma ditadura e que se recusa a aceitar aquele período sombrio da História brasileira como uma ditadura militar.
Por isso, o discurso é de que querem a libertação do Brasil. Nunca o país esteve em momento de tanta liberdade. Só quem cometeu crimes está privado de liberdade, como manda a lei.

