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Dia a Dia.

Falta de recursos ameaça pesquisa do Brasil em torre gigante da Amazônia

16 de outubro de 2017 Dia a Dia.
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Torre Atto é um projeto que busca entender o papel da Amazônia no clima e os efeitos das mudanças climáticas na floresta (Foto: Inpa/Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – Aventureiros e empreendedores costumam dizer que o passo mais difícil de qualquer jornada é o primeiro. Não é o caso no Observatório da Torre Alta da Amazônia (Atto, em inglês). Lá, o número mágico costuma ser o 1.498, que é a quantidade – aparentemente infinita – de degraus que você precisa escalar para chegar ao topo do espigão de aço branco e laranja que se projeta do solo da floresta, com 325 metros de altura.

Inaugurada há dois anos, em agosto de 2015, a torre Atto é um projeto binacional Brasil-Alemanha que busca entender o papel da Amazônia no clima do planeta e os efeitos das mudanças climáticas no funcionamento da floresta. Construir a torre numa área remota de floresta tropical intocada foi um desafio imenso. Mas o segundo passo, de produzir ciência com ela, está provando ser um desafio ainda maior.

O investimento para construir o observatório foi de R$ 26 milhões, divididos igualmente entre os dois países. O Brasil entrou com R$ 13 milhões, pagos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do governo federal, mais um aporte de R$ 2 milhões da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado (Fapeam) para abrir a estrada de terra que liga a base ao Rio Uatumã.

Após uma série de atrasos e dificuldades, a torre começou a coletar dados de forma sistemática neste ano. Mas já começa a faltar algo essencial: dinheiro. A conclusão da obra coincidiu com o agravamento da crise e o colapso do orçamento federal de ciência e tecnologia.

A Alemanha já tem ¤ 13 milhões (cerca de R$ 50 milhões) reservados para a produção de ciência no Atto nos próximos três anos, incluindo recursos do Ministério da Educação e Pesquisa (BMBF) e do Instituto Max-Planck. Do lado brasileiro, por enquanto, nada. O projeto tem uma sobra de R$ 5,8 milhões do aporte inicial da Finep, mas esses recursos são reservados para infraestrutura e compra de equipamentos, e não podem ser usados para bolsas ou financiamento de pesquisas.

“É como se a gente tivesse comprado um ônibus, mas não tem dinheiro para comprar gasolina”, diz o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Ele é um dos únicos cientistas brasileiros com instrumentos já conectados à`Torre Alta – comprados com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que também financia suas pesquisas.

“Não sabemos até quando essa situação será sustentável”, diz Artaxo. “Não adianta ter a infraestrutura física se você não tem a infraestrutura acadêmica e os recursos necessários para dar apoio à pesquisa.”

Os alemães também estão preocupados. O acordo de colaboração prevê investimentos igualitários dos dois países. “Temos dinheiro agora, mas não dá para continuar muito tempo assim”, diz a pesquisadora Susan Trumbore, diretora do Instituto Max Planck de Biogeoquímica e coordenadora da participação alemã no Atto. “Não temos intenção de fazer isso sozinhos, de jeito nenhum. Sem a parceria brasileira, não vai funcionar.”

Pesquisadores ouvidos pela reportagem temem que o Brasil se torne um coadjuvante no estudo da sua própria floresta. Vários cientistas brasileiros que participaram de um workshop científico do Atto em Manaus na semana passada só conseguiram viajar com passagens pagas pelo governo alemão.

Garantias

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou que a manutenção do Atto custa R$ 1 milhão por ano, e que “vai liberar esses recursos assim que os valores descontingenciados (do orçamento ministerial) estiverem disponíveis”. “Para o ano de 2018, a verba também está garantida”, completou.

Sobre as pesquisas, o ministério afirmou que “garante os valores necessários para os projetos de cientistas brasileiros, quando houver (recursos)”.

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Assuntos Alemanha, Amazônia, brasil, Finep, Inpa, UEA
Redação 16 de outubro de 2017
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