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Dia a Dia

Extinto, jacaré latrubessei habitou região do Purus no sul do Amazonas

15 de dezembro de 2020 Dia a Dia
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Extinto, jacaré tinha manchas na mandíbula (Foto: Musa/Divulgação)
Extinto, jacaré tinha manchas na mandíbula (Foto: Musa/Divulgação)
Da Redação

MANAUS – Extinto, o Melanosuchus latrubessei habitou o sul do Amazonas na localidade conhecida por Talismã, às margens do Rio Purus. O jacaré tinha manchas na mandíbula e a existência foi constada pela descoberta de um fóssil do focinho. Apesar de incompleto, o fragmento possui características suficientes para ser reconhecido como uma espécie de jacaré.

Segundo os pesquisadores Jonas Souza-Filho e Lucy Gomes de Souza, do Musa (Museu da Amazônia), os fósseis datam de aproximadamente 10 milhões de anos atrás, correspondendo à época do Mioceno Superior. O artigo foi publicado na revista Zootaxa em 11 de dezembro deste ano.

Há 10 milhões de anos essa região no Norte do Brasil ainda não era ocupada pela floresta Amazônica e sim um outro tipo de floresta que um dia originaria a que hoje conhecemos.

“Nessa época os Andes ainda não haviam se erguido totalmente em sua porção norte (Equador, Colômbia, Venezuela) permitindo que na região do Acre e sul do Amazonas se formassem grandes acúmulos de águas e planícies de inundações. Esse cenário mudou com a finalização do soerguimento dos Andes (condição similar à que vivemos hoje) que resultou num esvaziamento do acúmulo de água nessa região junto a mudanças climáticas que provavelmente tiveram relação direta na extinção de boa parte da fauna e flora que habitava a região”, explica Jonas.

O jacaré fóssil tinha tamanho e hábitos alimentares similares ao jacaré-açu, ou seja, uma dieta generalista baseada em peixes, répteis e mamíferos de pequeno a médio porte. A morfologia dos dentes, com posteriores mais baixos e arredondados, os permitiam que se alimentassem de animais mais duros como tartarugas e crustáceos.

O nome latrubessei foi dado em homenagem a Edgardo M. Latrubesse geomorfólogo argentino que estudou durante décadas a região Amazônica tentando entender a evolução dos ambientes passados publicando assim uma série de pesquisas que são referência para inúmeros estudos na região.

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Assuntos jacaré-açu
Cleber Oliveira 15 de dezembro de 2020
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