
Do ATUAL
MANAUS — O Dia da Sobrecarga da Terra de 2025, nesta quinta-feira (24), é data simbólica definida pela organização internacional de sustentabilidade Global Footprint Network para alertar sobre o momento em que a exploração de recursos naturais ultrapassa a capacidade de regeneração do planeta. A entidade estabelece a data com base em dados das Contas Nacionais de Pegada e Biocapacidade, banco de dados da Universidade de York
Segundo a Global Footprint Network, a sociedade está consumindo recursos naturais a uma velocidade 1,8 vez maior do que os ecossistemas conseguem se recompor em um ano. Esse cálculo considera, por exemplo, emissões de carbono superiores à capacidade de absorção, consumo de água doce, além da extração de madeira acima do crescimento florestal.
A instituição explica que esse desequilíbrio gera efeitos cumulativos, como perda de biodiversidade e esgotamento dos estoques de recursos naturais. Também pode aumentar pressões econômicas, insegurança alimentar e energética, além de riscos climáticos.
O Dia da Sobrecarga da Terra tem se mantido há 15 anos, sempre próximo ao meio do ano. Isso significa que, no restante do calendário, o consumo continua acima do que os ecossistemas conseguem repor, aumentando a chamada “dívida ecológica”.
Falhas de mercado e soluções
Especialistas da entidade afirmam que o cenário reflete uma falha de mercado: recursos subvalorizados e usados em excesso tendem a se tornar mais escassos, impactando economias e populações. A Global Footprint Network alerta que há soluções financeiramente viáveis para adiar a data, com ações em áreas como cidades, energia, alimentos, população e manejo ambiental.
Entre as possibilidades está a redução das emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis em 50%, o que, segundo a organização, poderia adiar a data em três meses.
“Estamos expandindo os limites do dano ecológico que podemos causar. Já se passou um quarto do século XXI, e devemos ao planeta pelo menos 22 anos de regeneração ecológica, mesmo que impeçamos qualquer dano adicional agora. Se ainda quisermos chamar este planeta de lar, esse nível de superação exige uma escala de ambição em adaptação e mitigação que deve ofuscar quaisquer investimentos históricos anteriores que tenhamos feito, em prol do nosso futuro comum”, comenta Lewis Akenji, do conselho da Global Footprint Network.
