Exploração comercial de jacarés no Amazonas é viável, afirmam pesquisadores

Manejo correto do jacaré é uma opção de renda para populações ribeirinhas (Foto: Amanda Lelis/IDSM)
Por Dion Erivan, da Redação

MANAUS – Os pesquisadores Barthira Rezende e Diogo Lima, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), veem de forma positiva o plano econômico para manejo de jacarés no Amazonas. Os cientistas afirmam que é possível conciliar a preservação da espécie com a exploração comercial do animal.

O manejo de jacarés foi retomado como proposta de projeto econômico pelo governador Wilson Lima. A discussão ocorre, por enquanto, no âmbito ambiental.

O IDSM tem equipes que realizam os monitoramentos de área e fazem o levantamento populacional das espécies de jacarés desde 2007 no distrito de Jarauá, no município de Uarini (a 565 quilômetros de Manaus). “Através dos dados já coletados pelas equipes do IDSM, é demonstrada a viabilidade de um sistema de manejo participativo e sustentável de jacarés”, afirma Barthira Rezende.

Foco econômico

Os especialistas afirmam que, inicialmente, a escala de produção comercial deve ser pequena. Isso porque, por ser uma atividade nova, o processo produtivo depende de um planejamento em que cada etapa precisa de atenção necessária para evitar erros numa cadeia produtiva que ainda está em fase de estruturação.

“A curto prazo, os benefícios gerados serão mais locais e associados à diversificação produtiva e fornecimento de renda alternativa para comunidades participantes do manejo”, explica Diogo Lima.

Atualmente, três comunidades do Jarauá já estão engajadas no desenvolvimento do manejo de jacarés: São Raimundo do Jarauá, Manacabi e Nova Colômbia. Todas estão representadas pela associação de produtores da região e as famílias dessas comunidades serão beneficiadas diretamente.

Para os pesquisadores, a participação dos moradores nas tomadas de decisões e estratégias de conservação é outra parte essencial do novo sistema. Uma vez que a comunidade deve ser a maior beneficiária da atividade.

“Em médio e longo prazo, o manejo de jacaré deve gerar novos negócios (como curtumes e abatedouros-frigoríficos ou vinculados ao turismo e gastronomia) e empregos diretos e indiretos no Estado, além de atender a demanda regional por carne e outros produtos” afirma Lima.

O preço médio para venda ao consumidor pode variar entre R$ 45 (o quilo do corte da carne com osso) a R$ 70 (embalagens com filés com meio quilo).

Filé de jacaré (Foto: Divulgação)

Impactos negativos

A falta de realização de pesquisas e estudos pode resultar em desequilíbrios. A exploração indiscriminada de jacarés para obtenção de peles e carne, já levou à diminuição das populações naturais.

O jacaré-açu chegou a ser considerado ameaçado de extinção na década de 1980. A ilegalidade da caça, além de ocasionar na diminuição das populações naturais, atrapalha qualquer plano para retorno econômico.

Em resposta a esses possíveis problemas, especialistas do IDSM afirmam que é realizado pela instituição o monitoramento das áreas onde estes repteis abrigam seus ovos e que os técnicos fazem levantamentos periódicos das populações de jacarés.

Há também riscos durante processo de abate que devem ser levados em consideração. O lançamento de rejeitos sem tratamento nos rios e igarapés podem ser um potencial gerador de contaminação.

“O objetivo do sistema é promover a sustentabilidade, o que significa que, com o manejo em bom funcionamento não devem existir impactos negativos ambientais, econômicos ou sociais de nenhuma maneira. Para que haja o abate de forma sustentável, haverá tratamento de rejeitos e do processamento de jacarés por meio de uma estação de tratamento experimental, diminuindo qualquer eventual forma de contaminação”, explica o especialista Diogo Lima.

Além de ser uma estratégia de conservação e de inclusão social direcionada para o gerenciamento sustentável dos recursos da biodiversidade, o projeto deve contribuir para a promoção da qualidade de vida da população ribeirinha local.

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