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Economia

Expansão da JBS preocupa senado australiano

11 de outubro de 2015 Economia
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Frigorífico JBS recebeu milhões em recursos do BNDES e há suspeitas de irregularidades nos empréstimos concedidos pelo banco (Foto: Divulgação)
A JBS cresceu mais de trinta vezes entre 2006 e 2014, com múltiplas aquisições. As receitas subiram de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 120,5 bilhões ao ano (Foto: Divulgação)

WELLINGTON – A expansão global da JBS tem despertado a preocupação do poder público. A companhia cresceu fortemente na última década impulsionada por aquisições e teve papel ativo na consolidação do mercado da carne bovina em alguns dos maiores países produtores e exportadores. O processo fez com que preocupações sobre competição ganhassem escopo internacional. A empresa esteve recentemente na mira do Senado da Austrália, que apura os efeitos da concentração no segmento, bem como suspeitas de que as indústrias tenham conluio para rebaixar os preços do boi. No Brasil, a JBS é citada na CPI do BNDES, que apura supostas irregularidades em investimentos do banco.

A JBS cresceu mais de trinta vezes entre 2006 e 2014, com múltiplas aquisições. As receitas subiram de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 120,5 bilhões ao ano. Os ganhos vieram de bovinos, principal mercado, e também de apostas em aves e suínos e em produtos de maior valor agregado. Nos últimos anos, o frigorífico também expandiu operações na América Latina, Estados Unidos e Oceania. Este ano, com a compra da Moy Park (ex-subsidiária da Marfrig), a JBS ampliou operações na Europa.

A história da JBS na Austrália começou em 2007, com a aquisição da Swift. De lá para cá, a empresa comprou grandes processadores como o grupo Tasman (2009) e o Rockdale (2010). Em novembro de 2011, a PWC estimava que a JBS detinha 25% da produção nacional de carne vermelha daquele país. A consolidação por lá já incomodava produtores e o Senado australiano decidiu por uma apuração sobre o tema este ano, após a compra do grupo Primo Smallgoods pela JBS. Finalizada em março, a operação movimentou US$ 1,25 bilhão.

A audiência com a JBS e outros frigoríficos ocorreu no fim de agosto. Na sessão, o presidente da JBS Australia, Brent Eastwood revelou que a companhia não tem interesse em comprar mais unidades de bovinos no país e argumentou que a consolidação da indústria não resultou em poder de mercado. “Nenhum frigorífico tem a capacidade de derrubar preços em benefício próprio”, garantiu.

Em fevereiro, a JBS e oito dos maiores frigoríficos do país não compareceram a uma feira de gado e causaram a queda nos preços do boi, suscitando em produtores suspeitas de boicote. O diretor da JBS Australia, John Berry, disse ao Senado que a companhia não foi ao evento devido a problemas em suas fábricas. “Assim que ouvimos as alegações que estavam sendo feitas, organizamos uma investigação interna e imediatamente contatamos a ACCC (órgão regulador) para dar a nossa versão”, afirmou. Questionado por senadores se existiria um boicote, Eastwood respondeu: “não de nossa parte”.

Frustrado com a resposta, o senador Barry O’Sullivan, que tem base eleitoral no campo, disse esperar que todas as empresas ofereçam explicações evasivas sobre o incidente. O’Sullivan já havia criticado a JBS após a compra da Primo Smallgoods. “Acho confuso que a ACCC não se oponha à aquisição, mas se diga atenta ao potencial impacto da consolidação frigorífica. Se isso é verdade, por que não agiu neste caso?”, questionou na ocasião. A apuração prossegue na Austrália e pode resultar em mudança nos critérios utilizados pela ACCC para aprovar aquisições.

Ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a JBS disse, em nota, que sua relação com os pecuaristas da Austrália “está, como sempre foi, normal e salutar”. A companhia também informa que alterações no sistema de negociação de gado no país, discutidas no Parlamento, não se referem apenas à empresa, mas ao mercado como um todo. “A companhia sempre se colocou à disposição do setor produtivo para debater as condições mercadológicas e estabelecer uma relação saudável, sempre buscando o consenso entre as partes”, diz a empresa na nota.

Nos Estados Unidos, o ritmo de expansão da JBS também já chamou a atenção. A companhia foi impedida de comprar o National Beef Packing em 2008, por motivos concorrenciais. Em julho deste ano, o presidente da JBS, Wesley Batista, chegou a afirmar em teleconferência que não vê espaço para novas compras naquele país. “Não temos a oportunidade de crescimento inorgânico devido ao nosso tamanho”, disse.

Brasil

No País, produtores há anos se queixam da concentração de frigoríficos nas mãos de JBS, Marfrig e Minerva. Hoje, a JBS é líder em abates. A companhia abateu 27% dos bois acompanhados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) no primeiro trimestre do ano, seguida por Marfrig (7%) e Minerva (6%). Em Mato Grosso do Sul, o porcentual é maior. Segundo a Famasul, em maio de 2015 a empresa respondeu por metade dos abates no Estado. A entidade também revela que 61% da capacidade instalada, em operação ou não, pertencem à JBS. A companhia ressalta que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já analisou a questão e concluiu que não há concentração no Brasil.

Dados do balanço do segundo trimestre deste ano mostram que 0,1% do endividamento da empresa está nas mãos do BNDES. A JBS encerrou junho com uma dívida líquida de R$ 34,8 bilhões, avanço de 4,8% em relação a março, e de 40,8% na comparação com junho de 2014. De 2006 a 2009, o banco de fomento investiu R$ 8,1 bilhões na companhia, entre ações e debêntures.

Citada na CPI do BNDES, que apura supostas irregularidades em investimentos do banco, a JBS não deve prestar esclarecimentos à comissão. O requerimento para convocação do presidente da companhia, Wesley Batista, e do presidente do Conselho de Administração da empresa, Joesley Batista, foi rejeitado. Já a rival Marfrig terá de se explicar aos parlamentares.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Austrália, Comércio, expansão, frigorífico, JBS
Valmir Lima 11 de outubro de 2015
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