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Dia a Dia

Ex-ministros lançam documento contra cortes e perseguição na Educação

4 de junho de 2019 Dia a Dia
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Corte de dinheiro na educação e saúde, podem ter efeitos irreversíveis, dizem os ex-ministros (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Da Folhapress

SÃO PAULO – Seis ex-ministros da educação se reuniram na manhã desta terça-feira, 4, na USP para manifestar preocupação com as políticas voltadas para educação do governo de Jair Bolsonaro. 

O grupo entregou um documento em que defende a liberdade de cátedra, autonomia acadêmica e se coloca contrário a “perseguição ideológica” e aos cortes da pasta. 

“Contingenciamentos ocorrem, mas em áreas como educação e saúde, na magnitude que estão sendo apresentados, podem ter efeitos irreversíveis e até fatais. (…) Cortar recursos da educação básica e do ensino superior, no volume anunciado, deixará feridas que demorarão a ser curadas”, diz a nota.

Estiveram presentes os ex-ministros José Goldemberg (governo Collor), Murílio Hingel (Itamar Franco), Cristovam Buarque (Lula), Fernando Haddad (Lula e Dilma) e Aloizio Mercadante (Dilma). Renato Janini, também ex-ministro de Dilma, organizou o encontro, realizado no Instituto de Estudos Avançados da USP. Outros ex-ministros foram convidados mas não responderam ou não puderam comparecer. 

Para os seis ex-ministros presentes, a educação deixou de ser vista como uma promessa. “Vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça”. 

Segundo a nota, é preciso respeitar a profissão docente, “que não pode ser submetida a nenhuma perseguição ideológica”. 

“Convidar os alunos a filmarem os professores, para puni-los, é uma medida que apenas piora a educação, submetendo-a a uma censura inaceitável”, afirmaram, no documento. 

No encontro, os ex-ministros defenderam o que chamaram de consenso sobre políticas públicas de educação, que seriam de Estado, não sujeitas a governos. Afirmam que a educação depende da continuidade dessas medidas já pactuadas entre atores de diferentes partidos e governos, nas esferas municipais, estaduais e federais. 

Os ex-ministros concordaram que a educação básica pública deve ser a prioridade nacional. Pedem renovação e ampliação do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que expira em 2020. “Sem ele, a situação do ensino nos municípios e estados mais pobres, que já é inadequada, se tornará desesperadora”, diz a nota.

Além do documento, os ex-ministros dizem que vão constituir um observatório da educação, para dialogar com a sociedade sobre os desafios da educação.

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Assuntos cortes na educação, MEC, saúde
Redação 4 de junho de 2019
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