
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – O ex-comandante militar da Amazônia general de Brigada Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira e o subcomandante do Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), coronel Cleverson Ney Magalhães, foram alvos da Operação Tempus Veritatis (hora da verdade, em latim), deflagrada nesta quinta-feira (8) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Estevam está no centro das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Estevam, que comandava o Coter (Comando de Operações Terrestres) do Exército Brasileiro e era responsável pelo emprego do Comando de Operações Especiais, se reuniu com o então presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Alvorada e se dispôs a aderir ao Golpe de Estado desde que o presidente assinasse a medida.
Estevam seria responsável operacional pelo emprego da tropa caso a medida de intervenção se concretizasse. As Forças Especiais do Exército, gerenciadas por ele, teriam a missão de efetuar a prisão do ministro Alexandre de Moraes “assim que o decreto presidencial fosse assinado”.
A operação investiga uma organização criminosa responsável por atuar em tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. Em Manaus, a Polícia Federal apreendeu dois aparelhos celulares, duas pistolas, dois notebooks e dez pen-drives.
O general Estevam foi alvo de busca e apreensão e busca pessoal e está proibido de falar com os outro investigados e de sair do país. Ele também está afastado das funções.
De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, o general integrou o núcleo de oficiais de alta patente com influência e apoio a outros núcleos, que agiram para “influenciar e incitar apoio aos demais núcleos de atuação por meio do endosso de ações e medidas a serem adotadas para consumação do Golpe de Estado”.
As investigações apontam também que Estevam e outros militares tentaram “arregimentar” militares com curso de Forças Especiais , que, segundo a Polícia Federal, “coadunados com os intentos golpistas, dariam suporte às medidas necessárias para tentar impedir a posse do governo eleito e restringir o exercício do Poder Judiciário”. Segundo a PF, Cleverson, coronel de Infantaria lotado no Coter e assistente de Estevam, também participou dessa mobilização.
Com a ação dos militares, o Coter, comandado por Estevam, seria “o maior contingente de tropas do Exército”.
Estevam foi cogitado para assumir o Comando do Exército em novembro de 2022, quando os militares avaliavam quem assumiria o posto no governo Lula. O escolhido foi o general Júlio Cesar de Arruda, que caiu após os atos golpistas no dia 8 de janeiro. Dos quatro indicados, no entanto, Theophilo era o último a ganhar as quatro estrelas, entregues a ele quando assumiu o Coter.
No Amazonas, Estevam comandou o CMA (Comando Militar da Amazônia) até setembro de 2021, quando foi substituído pelo general Achilles Furlan Neto.
De acordo com Moraes, Cleverson integrava o núcleo operacional de apoio às ações golpistas, que atuava em reuniões de planejamento e execução de medidas no sentido de manter as manifestações em frente aos quartéis militares, incluindo a mobilização, logística e financiamento de militares das forças especiais em Brasília.
Segundo as investigações, a ação ocorria a partir da coordenação e interlocução com Mauro Cid.
