
Por Valmir Lima, da Redação
MANAUS – Ex-alunos da Fundação Nokia decidiram criar uma associação para trabalhar pelo não fechamento da instituições, que há 30 anos forma estudantes de nível médio-técnico. O anúncio de criação da comissão foi feito na tarde deste sábado, durante uma manifestação em frente à sede da Fundação Nokia, no Distrito Industrial, com a participação de ex-alunos, alunos e filhos de ex-alunos, que foram chamados de futuros alunos.
Nesta semana, a fundação anunciou a suspensão do processo seletivo 2016 para ingresso de novos alunos do ensino médio técnico, que estava previsto para novembro, e a não realização de matrículas de novos estudantes do ensino médio particular, oferecido pela instituição desde 2014.
A primeira reunião para a criação da associação de ex-alunos será realizada na próxima segunda-feira, 5, às 18h, na no auditório da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas, antiga Utam, na Avenida Darcy Vargas, no bairro Parque 10. Os organizadores do evento pediram que as turmas elejam, via redes sociais, ou em reuniões presenciais de três a cinco representantes de cada turma para a reunião.
Histórias e lembraças
De acordo com o ex-aluno Leonardo Lima, 40, que estudou na fundação entre os anos de 1990 a 1992, disse que o objetivo da associação é buscar formas de manter a instituição de ensino em funcionamento. “Hoje, estamos aqui para sensibilizar a sociedade, porque a Fundação Nokia é um patrimônio da sociedade amazonense. E o anúncio da suspensão do processo seletivo deixou todos preocupados”, disse.
Leonardo, que atualmente é auditor do Tribunal de Contas da União, disse que a Fundação Nokia é de grande importância para o Distrito Industrial de Manaus, porque sempre formou mão de obra para as empresas aqui instaladas. “Nós vamos buscar apoio tanto da iniciativa privada quanto do poder público. Outras empresas podem ser mantenedoras”, disse.
O ex-aluno Salomão Sampaio Crispim, 45, ingressou na instituição em 1987, quando ela ainda era Fundação Mathias Machline, mantida pela empresa Sharp, que fechou as portas no Polo Industrial de Manaus. “Nós fomos da primeira turna da Fundação Matias Machline. E nós estamos aqui hoje porque ela foi fundamental para nós e será para milhares de alunos que ainda poderão estudar na fundação”, disse.
Crispim disse que à época, a fundação foi a primeira instituição em Manaus a oferecer cursos na área de informática. “Não existia nem escolas nem faculdades com cursos de informática. Então, para nós, foi muito importante. Atualmente temos colegas que aqui estudaram trabalhando em outros países”, lembrou. Crispim reconhece que a Fundação Nokia é uma escola de excelência e chama a atenção das autoridades para esse fato: “A educação tem que ser encarada como investimento, seja mantida pelo poder público ou pela setor privado”, disse.
Família que se reúne
Estudante da turma de 2001-2003, o gerente de projetos de sistemas de informática Renan Assunção, 31, carregava a foto da turma dele. Ele contou à reportagem que até hoje os ex-alunos se reúnem, porque pela estrutura pedagógica da Fundação Nokia, com ensino de tempo integral e o rigor aplicado às atividades de ensino os obrigava a se reunir nas casas dos colegas. “Formamos uma família, que até hoje se reúne para momentos de entretenimento”, afirmou.
Renan Assunção lembrou que em 2001, quando ele ingressou na fundação, ocorria o processo de migração da Fundação Matias Machline para a Fundação Nokia. Naquela ocasião, a instituição também foi ameaçada de fechar as portas. “É praticamente a mesma luta. E nós estamos aqui porque foi aqui que aprendemos uma profissão, fortalecemos o caráter e conquistamos muitos amigos. A Fundação Nokia é um patrimônio do Amazonas e não pode ser fechada”, disse.
Sentimento de gratidão
Karla Okada, 41, que ingressou na Fundação em 1992, participou da manifestação com o filho, que pretende ser aluno da instituição no futuro. “A fundação representou muito profissionalmente para todos nós, e viemos aqui hoje por um sentimento de gratidão e para pedir que ela não seja fechada”.
Erika Handa, 40, da mesma turma de Karla Okada, considera a Fundação Nokia um exemplo bem sucedido de instituição de ensino na região, motivo pelo qual deve ser mantida. “São 30 anos de uma história bem sucedida, formando cidadãos”, disse.
No fim da manifestação, os participantes se puseram em fila em frente ao prédio e cantaram palavras de ordem, como “Não, não, não. Não fecha a Fundação”.
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