
Do ATUAL
MANAUS – Garimpeiros no Brasil utilizaram 185 toneladas de mercúrio, de forma ilegal, para extrair ouro. A estimativa é do estudo “De onde vem tanto mercúrio?” o Instituto Escolhas. Conforme a pesquisa, essa quantidade foi movimentada pelos garimpeiros entre 2018 e 2022.
A análise é com base em dados oficiais da produção de ouro em áreas com permissão de lavra garimpeira, nas estimativas de uso do mercúrio nas operações e nos registros oficiais de importação do produto.
“Esse dado preocupa porque revela uma enorme falha do controle oficial sobre o comércio de algo que representa um grave perigo à saúde humana e ao equilíbrio ambiental. O Brasil precisa se comprometer com o fim do uso do mercúrio e, até que isso ocorra, o mínimo que se espera é um controle rígido sobre o mercúrio que ainda circula no país”, alerta Larissa Rodrigues, pesquisadora do Instituto Escolhas e responsável pelo estudo.
A pesquisa mostra também que o aumento de exportações de ouro e dos garimpos duplicaram entre os anos 2002 e 2022. “As exportações de ouro brasileiro saíram de 35 toneladas para 96 toneladas por ano e as áreas de garimpos saíram de 68 mil hectares para 224 mil hectares”, diz a pesquisadora.
Larissa afirma que a conta não fecha porque os números oficiais mostram que houve uma caída de 67 toneladas para 15 toneladas por ano de mercúrio no país, mas os garimpos não deixaram de usar a substância na extração de ouro. “Tudo aponta para uma ampliação do comércio ilegal de mercúrio no país”.
O uso e o comércio de mercúrio no país são controlados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Na mineração, o mercúrio foi banido pela Lei 1658 de2013, com um prazo de transição que se encerrou em 2018. Os garimpeiros usam o mercúrio para separar o ouro da lama e de outros materiais orgânicos.
A inalação ou ingestão de grandes quantidades de mercúrio pode resultar em sérias consequências neurológicas. Os sintomas podem incluir tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, fraqueza muscular e, em casos extremos a morte.
