
Do ATUAL
MANAUS – Conhecido por abrigar fábricas que produzem de eletroeletrônicos a motocicletas, o Polo Industrial de Manaus inclui também o agronegócio. Instalada na zona rural da capital desde 1985, a Fazenda São Pedro é um dos empreendimentos do segmento com diversidade nos negócios. Atua na agroindústria, melhoramento genético, transportes, indústria, comércio e serviços.
A empresa investiu R$ 1 bilhão em 4º anos e estima atingir o mesmo valor de produção neste ano. O Grupo São Pedro é uma das quatro empresas que expuseram seus negócios no Raízes do Investimento, evento criado pela Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas) para conversa com a imprensa. O encontro ocorreu nesta terça-feira (8).
O grupo empresarial produz ovos, rações para aves, peixes, suínos e pets, leite pasteurizado com zero lactose, queijo, manteiga, iogurte, bebidas lácteas, frutas e sucos cítricos, além de itens como cimento, argamassa, metais (aço, alumínio, ferro), móveis modulados e materiais de construção. Atualmente, a empresa gera 5,1 mil empregos diretos e indiretos no Amazonas.
A diversidade empresarial gera desafios que exigem soluções próprias. Segundo o presidente do Grupo São Pedro, Francisco Peixoto, a empresa conta com rotas alternativas e estrutura própria de transporte fluvial para escoar a produção mesmo em períodos críticos de seca.
“Na realidade, nós trazemos os nossos produtos via Belém e Santarém. Como nós temos também navegação própria, nós trazemos nas nossas balsas de Belém para Manaus porque quando seca lá no Madeira cancela a vinda de Porto Velho, aí trabalhamos com Santarém ou Belém”, explicou.
A empresa vai lançar novos produtos como requeijão, doce de leite e coalhada. Também vai inaugurar uma nova fábrica de laticínios, um abatedouro de aves e um novo home center nos próximos anos. Também usa energia solar, faz tratamento de efluentes com aproveitamento de resíduos orgânicos e de materiais provenientes da própria produção.
Energia
No segmento industrial, a Livoltek Power do Brasil informou que investiu R$ 100 milhões desde 2024 para produzir inversores solares e planeja expandir sua linha com carregadores para carros elétricos e baterias para inversores.
Atualmente, a planta em Manaus gera 73 empregos diretos, com previsão de alcançar até 300 postos de trabalho. “Temos dois segmentos totalmente diferentes: um de energia renovável e o outro da agricultura. Partindo do ponto da energia renovável, a Livoltek hoje já fez um investimento em torno de R$ 100 milhões, trazendo uma aplicação de emprego já direta, de 300 mãos de obra”, disse o gerente Márcio Sousa.
Também na área de energia, a chinesa BYD investiu R$ 15 milhões em sua planta local desde 2020 e projeta alcançar uma produção superior a R$ 41 milhões até 2025. A empresa atua na fabricação de módulos de baterias de fosfato de ferro-lítio (LiFePO₄), tecnologia voltada principalmente para ônibus elétricos, segmento que ganha cada vez mais força no mercado nacional.
“Aqui na BYD, em Manaus, são montados os módulos de baterias. Recebemos as baterias prontas da China e aqui montamos um conjunto de células, que chamamos de módulos de baterias. Depois que o módulo está pronto, enviamos para nossos clientes, especificamente a BYD Auto, em Campinas, onde é acoplado ao chassi do ônibus, finalizado e entregue às prefeituras e demais clientes que solicitam os veículos”, explicou Kleber Costa, diretor da empresa.
A empresa vai fabricar também baterias do tipo blade, usada atualmente em carros elétricos e que agora está sendo homologada para ônibus. “Certamente, em 2026, teremos novos projetos implementados aqui na Zona Franca e na região amazônica”, conclui Kleber Costa.
Borracha
Outra empresa que expôs seu investimento em Manaus foi a ETOR Pneus, do Grupo Cairu, que fabrica pneus e câmaras de ar para bicicletas e motocicletas. Com previsão de início das operações em 2026, o projeto representa um investimento estimado de R$ 500 milhões e deve gerar aproximadamente 1.200 empregos diretos.
A ETOR vai usar borracha natural extraída de forma sustentável. A matéria-prima será adquirida de comunidades tradicionais, beneficiando diretamente cerca de 4 mil famílias ribeirinhas envolvidas com o extrativismo da borracha.
“Nosso investimento atual concentra-se no setor de pneus, com a fabricação de pneus e câmaras de ar para bicicletas e motocicletas. A decisão de instalar nossa unidade na Zona Franca considerou aspectos tributários e a disponibilidade de mão de obra especializada. Considero esta uma excelente oportunidade de integração entre empresários e também de divulgação para a população”, declarou o gerente da obra, André Caldeira.
De acordo com dados da Sedecti, com base nas estatísticas do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas), 565 projetos de implantação foram aprovados entre 2019 e junho de 2025, com a criação de 23.224 postos de trabalho projetados e um volume de investimento estimado de R$ 12,8 bilhões. Somente em 2024, os setores que mais receberam aportes foram: Eletroeletrônico (R$ 2,99 bilhões), Termoplástico (R$ 1,97 bilhão), Químico (R$ 1,33 bilhão) e Duas Rodas (R$ 1,20 bilhão).
“Criamos este evento com a proposta de reunir todos esses projetos que aprovamos no Codam, que ocorrem a cada dois meses. Esses projetos geralmente viram notícia pelos números, quantidade de propostas, volume de investimentos e geração de mão de obra, mas percebemos que ainda existe um certo desconhecimento sobre o que realmente é feito na Zona Franca de Manaus. Então, o objetivo do evento é justamente pegar esses dados e divulgar e aprofundar um pouco mais”, afirmou Gustavo Igrejas, secretário-executivo da Sedecti.
