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Economia

Emprego doméstico volta a ser disputado

15 de novembro de 2015 Economia
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empregada doméstica
No trimestre até agosto, 6,037 milhões de pessoas trabalhavam como domésticos em todo o País, 1,4% a mais do que em igual período de 2014, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO – Ainda adolescente, Rosângela dos Santos, hoje com 48 anos, lavou “muito chão de padaria” para ajudar a mãe e os irmãos. Com o passar do tempo, ela conseguiu migrar para a área de assistência social. Até o ano passado, trabalhava como orientadora especial quando a clínica que a empregava fechou. Desde então, voltou às origens. “Antes, tinha um salário firme. Agora, são três dias na casa de um, outro dia na casa de outro. Eu andava de sapato social, agora opto por chinelinho.”

Moradora da Baixada Fluminense, Rosângela é uma das 86 mil pessoas que ingressaram (ou regressaram) no emprego doméstico no último ano, um movimento contrário ao percebido até meados de 2014. Ela suspendeu a obra em sua casa e mudou hábitos. “Cortei o dentista para não cancelar o do meu filho. Não tenho mais plano de saúde. Estava tentando estudar fisioterapia, e meu filho está estudando para fazer vestibular. Ele tem 18 anos. A prioridade é dele”, afirma.

Antes em queda por causa da expansão do mercado de trabalho, da formalização e das oportunidades de estudo, o número de empregados domésticos no País voltou a crescer em meio à crise econômica. No trimestre até agosto, 6,037 milhões de pessoas trabalhavam como domésticos em todo o País, 1,4% a mais do que em igual período de 2014, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Agências especializadas também notam aumento da procura por empregos. Enquanto isso, a oferta de vagas começa a encolher, sinal de que até mesmo essa saída encontrada pelos brasileiros pode estar ameaçada diante da menor capacidade das famílias em pagar pelo serviço.

Na agência Casa e Café, que tem plataforma virtual focada em empregos domésticos, a busca por profissionais era de 17 mil por mês um ano atrás, e havia 0,098 vaga por profissional. Hoje, a procura chega a 33 mil por mês, e a relação de vagas por candidato recuou a 0,062. “Nosso negócio é online, então sempre teve aumento. Mas realmente houve crescimento de um ano para cá” diz a sócia Daniele Kuipers. O aumento mais significativo ocorre entre mulheres de 25 a 37 anos, cujo número de cadastros subiu 92%.

O site, que trabalha com planos de assinatura, tem 320 mil candidatos para 34 mil empregadores, e a diferença é maior a cada mês. “Além disso, muitos que antes procuravam mensalistas agora buscam diaristas, horistas. Há uma insegurança do próprio cliente. Ele pensa ‘não sei nem se meu emprego está garantido, como vou pagar mensalista?”, afirma Daniele.

Na agência Prendas Domésticas, a proprietária Nalva Maria Souza também nota maior procura por vagas. “Aumentou a crise, o que fez as pessoas darem um passo atrás. Para uma vaga de motorista, antes vinham 10 pessoas para fazer a entrevista. Agora, vêm 50”, diz.

A insegurança dos patrões é um dos motivos apontados pelo economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, para que o crescimento do emprego doméstico não ir longe. “Não existe tendência de as famílias terem maior renda disponível para contratar empregado doméstico. A tendência, nesse momento de ajuste, é a pessoa demitir o empregado formal e contratar uma diarista. Ou, até mesmo, considerar isso supérfluo.”

Andressa Santos, de 21 anos, já trabalhou como babá e cuidadora de idosos. Sem emprego fixo há um ano, tem feito bicos como manicure, cabeleireira e maquiadora. Mas voltou a buscar emprego na área doméstica. “Qualquer coisa que abrir é lucro. Quando precisa não tem muito o que escolher”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos emprego, informalidade, Mercado, Trabalho
Valmir Lima 15 de novembro de 2015
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