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Variedades

Em Halloween Kills, Jamie Lee Curtis enfrenta Michael Myers pela 11ª vez

13 de outubro de 2021 Variedades
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Leonardo Sanchez, da Folhapress

SÃO PAULO – No começo de “Halloween Kills: O Terror Continua”, Laurie Strode está na traseira de uma caminhonete, com uma cachoeira de sangue saindo da barriga. Ela chega ao hospital e é rapidamente levada para uma cirurgia, que nos apresenta às suas entranhas. É uma situação delicada, mas aquela é provavelmente a “final girl” mais famosa dos slashers – e, como toda boa “garota final”, ela não vai sair de cena até que a história chegue ao fim.

Jamie Lee Curtis (centro) em cena de Halloween: mulheres poderosas (Foto: Universal Pictures/Divulgação)
Jamie Lee Curtis (centro) em cena de Halloween: mulheres poderosas (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

“Na minha idade, ser a ‘final qualquer coisa’ é bom para caramba”, diz Jamie Lee Curtis, atriz que aos 62 anos volta a interpretar a personagem que abriu as portas para ela em Hollywood, quando ela tinha apenas 20.

Mas a história de Laurie não parece estar tão longe assim de uma conclusão. Depois de 43 anos do lançamento e de uma série de longas agonizantes que puseram o apelo da franquia à prova, “Halloween”, fruto da mente de John Carpenter, está finalmente caminhando para um desfecho.

Lançado em 1978, o filme original se tornou um dos mais cultuados do subgênero slasher – terror em que sangue e tripas são servidos ao público de forma gráfica por algum tipo de assassino em série. Nele, seguíamos o mascarado Michael Myers após sua fuga de um hospital psiquiátrico e o retorno à cidadezinha onde começou, ainda na infância, sua onda de assassinatos.

Numa noite de Dia das Bruxas, o psicopata sai pelas ruas fazendo travessuras e mata vários adolescentes, com exceção da mocinha Laurie Strode, que voltou a ser aterrorizada por Michael Myers em outros dos dez filmes da franquia. Agora, o 11º é uma continuação direta de seu retorno à saga, que aconteceu há três anos.

“Halloween Kills”, que chega nesta semana aos cinemas, começa imediatamente após o fim de “Halloween” – o de 2018, não de 1978 –, depois que Laurie, sua filha e sua neta incendeiam uma casa com Michael Myers dentro. Elas estão certas de que ele morreu, mas depois de tantas décadas, o assassino se tornou um tipo de entidade indestrutível – mas ele não é sobrenatural, alerta Lee Curtis, ele é um ser humano, algo que ela considera importante para a franquia ter dado certo.

Na abertura do novo “Halloween”, a figura corpulenta do assassino sai da casa incendiada pela porta da frente. Inabalado, ele é recepcionado por uma equipe de bombeiros que tenta controlar o fogo. Mas Michael Myers não gosta de calor humano, e encontra maneiras criativas para matá-los –afundando uma haste de metal no peito de um ou penetrando o capacete de outro com uma motosserra.

“Esse filme é violento em outro nível. Eu não tenho ideia do motivo disso atrair tanto as pessoas, mas acho que isso é um sinal dos tempos. As pessoas estão putas da vida em todos os lugares, por qualquer coisa. Hoje em dia todos estão tão bravos, e eu acho que é sobre isso que a violência desse filme fala”, diz Lee Curtis.

E os paralelos entre “Halloween” e a realidade não acabam aí, acredita a atriz. Para ela, a própria jornada de quatro décadas de sua personagem está em sintonia com os tempos atuais, em que as mulheres vêm ganhando força e expondo traumas e abusos sofridos no passado – como é o caso da relação que se estabelece entre Laurie e Michael Myers.

“O ‘Halloween’ de 2018 era um filme sobre uma mulher lidando com um trauma, com a opressão, e então retomando o controle de sua vida. Apesar de o filme ter sido gravado antes, essa trama parece coincidir com esse movimento de mulheres no mundo todo expondo suas histórias de abuso. ‘Halloween Kills’ é sobre empoderamento – e, agora, a filha e a neta de Laurie se juntam para protegê-la –, mas também fala sobre o efeito colateral que essas coisas trazem para uma sociedade”.

Talvez por isso Laurie Strode tenha se tornado um ícone do cinema, com sua jornada de sobrevivência que se arrasta desde os anos 1970. E é justamente pelo que a personagem representa que Lee Curtis teria sido agraciada, no mês passado, com um Leão de Ouro honorário no Festival de Veneza, acredita ela.

“Quando uma instituição como o Festival de Veneza te liga e diz que quer te premiar, você agradece, se sente estranha e fica animada. E eu nunca fui ao Festival de Veneza, nunca tive um filme exibido lá. Então, para mim, foi um momento pessoal, especial, mas também com um significado maior, porque eles escolheram premiar uma atriz conhecida pelo papel de uma sobrevivente. Eu estive lá representando todos os tipos de sobreviventes –de violência doméstica, religiosa, sexual, psicológica”.

A trajetória de Jamie Lee Curtis em “Halloween” deve se encerrar em breve, com o lançamento de “Halloween Ends” no ano que vem – o título sugere um fim não só para ela, mas para toda a saga de Michael Myers, embora não convença muito numa Hollywood dominada por sequências, derivados e refilmagens. No futuro, ela tem outros projetos na manga, alguns que prometem ser tão sanguinolentos quanto, aliás.

Apesar de receber um troféu pelo conjunto da obra, a atriz faz questão de deixar bem claro que está longe da aposentadoria. “O prêmio faz parecer que eu cheguei ao fim de algo, mas para mim é como se eu estivesse apenas começando”.

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Assuntos Halloween, Jamie Lee Curtis
Cleber Oliveira 13 de outubro de 2021
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