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Economia

Em 5 meses, exportação do agro no acordo Mercosul-UE cresceu 14,8%

3 de novembro de 2026 Economia
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Embarque de contêineres com mercadorias em Manaus: exportação do Brasil para os EUA foi recorde (Foto: Secom/Divulgação)
Embarque de contêineres em navio: exportação do Brasil para a União Europeia aumentou com o acordo Mercosul (Foto: Secom/Divulgação)
Da Agência Gov

BRASÍLIA – O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia completou, no domingo (1º), seis meses de aplicação provisória. Nos primeiros cinco meses de vigência, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu cresceram 14,8% em valor, na comparação com o mesmo período de 2025, e alcançaram US$ 12,21 bilhões, segundo dados do sistema Agrostat do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Entre maio e setembro de 2026, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países d a União, volume 8,1% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior, quando foram embarcadas 16,42 milhões de toneladas.

O resultado foi impulsionado pelo desempenho de diferentes segmentos, como o complexo soja, as carnes, os produtos apícolas e as frutas. O período também marca o início do aproveitamento das preferências tarifárias previstas no acordo comercial para determinados produtos brasileiros.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, os resultados refletem a competitividade e a capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências dos mercados internacionais. “O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro, a capacidade de diálogo e a presença cada vez mais forte do nosso setor produtivo no mercado internacional. O Brasil demonstra, mais uma vez, que é capaz de competir globalmente não apenas pelo volume que produz, mas, sobretudo, pela qualidade, pela segurança e pelos elevados padrões que consegue atender”, afirmou o ministro.

Setores de destaque

Entre os segmentos que mais cresceram em valor, destacam-se os produtos apícolas, principalmente o mel, com alta de 367%, e os produtos oleaginosos, exceto soja, que avançaram 161%. As exportações de carnes cresceram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil para 272 mil toneladas.

Também registraram expansão o complexo soja, com aumento de 34,2% em valor; os produtos florestais, com 23%; as frutas, incluindo nozes e castanhas, com 15%; e os demais produtos de origem animal, com 55,5%.

O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu como o principal segmento das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia. As vendas passaram de US$ 3,12 bilhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 4,19 bilhões no mesmo período de 2026, crescimento de 34,2% em valor e de 20,5% em volume.

A soja em grãos registrou aumento de 49% em valor e de 35,1% em volume. Já as exportações de farelo de soja cresceram 22,5% em valor e 10,6% em volume.

Os produtos florestais também ampliaram a receita, de US$ 1,20 bilhão para US$ 1,48 bilhão, alta de 23%. O volume exportado aumentou 2,6%. No segmento de frutas, incluindo nozes e castanhas, as vendas passaram de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões, crescimento de 15% em valor e 2% em volume.

Gráfico sobre as exportações do agro brasileiro

Abacate, óleo de milho e café

Entre os produtos individuais, o abacate apresentou a maior expansão percentual em valor entre os itens selecionados. As exportações passaram de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões, aumento de 421,2%. O volume embarcado cresceu 433,7%.

O óleo de milho bruto também registrou avanço expressivo. As vendas aumentaram de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões, alta de 266,3% em valor e de 205,8% em volume.

Outras frutas também ampliaram sua participação no mercado europeu. s exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume, enquanto as de maçã avançaram 28,8% em valor e 33,7% em volume.

No setor cafeeiro, as vendas de café torrado cresceram 91,6% em valor e 116,5% em volume. As exportações de café solúvel aumentaram 19% em valor e 38,2% em volume.

Preferências tarifárias

Desde 1º de maio de 2026, o acordo comercial prevê reduções tarifárias para produtos agropecuários brasileiros, conforme os cronogramas negociados entre as partes. Entre os itens que já contam com benefícios estão o café torrado, o café solúvel e o abacate.

Para o café torrado e o café solúvel, a redução tarifária será gradual, com eliminação prevista para 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, com liberalização completa também prevista para 2030.

O acordo prevê ainda condições de acesso ao mercado europeu para outros produtos relevantes da pauta agropecuária brasileira, como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Em alguns casos, os benefícios estão associados a cotas de importação, com volumes e condições específicos para cada produto.

A implementação das reduções tarifárias será gradual para diferentes setores. Por isso, os resultados dos primeiros meses representam uma etapa inicial do aproveitamento das condições comerciais negociadas.

Gráfico sobre a balança comercial

Saldo comercial

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, alta de 3,3% em relação aos US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Em volume, as compras passaram de 578,6 mil para 617,9 mil toneladas, crescimento de 6,8%.

Entre os principais itens importados estão produtos oleaginosos, exceto soja, bebidas, produtos florestais, outros produtos de origem vegetal, hortícolas e cereais e farinhas. Os maiores crescimentos percentuais foram registrados nas importações de sucos (41,1%), pescados (33,8%), frutas (29,2%), chá, mate e especiarias (28,1%) e produtos florestais (14,3%).

Mesmo com o aumento das importações, o saldo comercial do agronegócio brasileiro com a União Europeia permaneceu superavitário. O superávit passou de US$ 9,01 bilhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 10,54 bilhões no mesmo período de 2026, crescimento de 17%.

Sustentabilidade

Além das condições tarifárias, o acesso ao mercado europeu exige atenção às normas sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. A adequação a esses requisitos é especialmente relevante para cadeias como soja, carnes, café e madeira.

Nesse contexto, a certificação e a rastreabilidade são instrumentos importantes para demonstrar a conformidade dos produtos com as exigências dos compradores e da legislação europeia. O acompanhamento das regras ambientais do bloco, incluindo o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), também integra os desafios para a manutenção e a ampliação das exportações.

A Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S) , por sua vez, passou, em 2026, a apoiar a inserção da produção brasileira em mercados que adotam requisitos socioambientais. Em setembro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a Resolução CEC nº 17, que estabelece o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE), emitido pela plataforma.

O documento reúne informações oficiais sobre aspectos ambientais, sociais e de regularidade das propriedades rurais e permite ao produtor ou exportador demonstrar o cumprimento da legislação brasileira, contribuindo para atender às exigências dos mercados internacionais.

O Mapa atua em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o setor privado e a rede de adidos agrícolas brasileiros no exterior para ampliar o acesso dos produtos nacionais aos mercados internacionais. O trabalho envolve a negociação de requisitos sanitários e fitossanitários, a identificação de oportunidades comerciais e a promoção dos produtos brasileiros, contribuindo para fortalecer a competitividade do agronegócio.

Perspectivas

Os resultados de maio a setembro de 2026 indicam crescimento das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia tanto em valor quanto em volume, além da ampliação do superávit comercial. O desempenho positivo de diferentes segmentos evidencia oportunidades para diversificar a pauta exportadora e ampliar a presença dos produtos nacionais no mercado europeu.

O aproveitamento das condições negociadas dependerá da implementação gradual dos compromissos comerciais, da utilização das preferências tarifárias e do atendimento às exigências sanitárias e ambientais do bloco. O acompanhamento dos fluxos comerciais permitirá avaliar os efeitos do acordo e identificar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.

O acordo

Assinado em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia reúne compromissos de diálogo político, cooperação e comércio e conecta mercados que, juntos, representam aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões.

A aplicação provisória do Acordo Provisório de Comércio (ITA, na sigla em inglês) começou em 1º de maio de 2026. O instrumento reproduz as disposições comerciais da parceria e estabelece condições para ampliar o intercâmbio entre os dois blocos, incluindo cronogramas de redução tarifária e regras de acesso aos mercados.

A entrada em vigor definitiva do acordo de parceria depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação previstos para os dois blocos. Enquanto isso, a aplicação provisória permite que os compromissos comerciais sejam implementados conforme as condições negociadas.

Pelos termos do acordo, a União Europeia prevê a liberalização total ou parcial de aproximadamente 99% das exportações agrícolas brasileiras ao mercado europeu, por meio da eliminação de tarifas ou de condições preferenciais de acesso, incluindo cotas para determinados produtos.

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Assuntos agronegócio, exportação, Mercosul, União Europeia
Cleber Oliveira 3 de novembro de 2026
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