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Dia a Dia

Educação empreendedora é ignorada nas escolas, apesar de constar na BNCC

18 de agosto de 2025 Dia a Dia
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Educação empreendedora está inserida na base curricular, mas ainda é pouco ensinada nas escolas (Foto: Divulgação)
Educação empreendedora está inserida na base curricular, mas ainda é pouco ensinada nas escolas (Foto: Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – Incluída na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) desde 2020, a educação empreendedora ainda é ignorada nas escolas. Pesquisa do Sebrae em parceria com a Fundação Roberto Marinho e o Plano CDE mostra que 56% dos professores ainda não aplicam a metodologia em sala de aula. A falta de tempo (46%), baixa interdisciplinaridade (40%) e pouca familiaridade com o tema são citadas como causas da ausência da disciplina. Apenas 25% dos docentes se consideram muito conhecedores.

Mesmo que 59% tenham recebido algum tipo de formação sobre as competências gerais da BNCC, 52% afirmam não se sentir confortáveis para abordar o tema, e 70% nunca receberam treinamento específico para trabalhar competências socioemocionais, um dos pilares da educação empreendedora.

Para, Bruno Sarmento Farias, especialista em educação de negócios, há uma lacuna entre a intenção e a prática. “É urgente oferecer suporte prático e real para que educadores consigam transformar a política da BNCC em ações concretas dentro da sala de aula”, diz.

Segundo o especialista, o maior obstáculo não é apenas a falta de espaço na grade curricular, mas sim a cultura escolar ainda muito voltada para métodos tradicionais.

“Falta conexão com a realidade do mercado e, muitas vezes, as escolas não têm infraestrutura ou apoio pedagógico para sustentar uma proposta empreendedora. Um estudo do Sebrae mostra que, embora o empreendedorismo esteja previsto na BNCC, ainda é tratado como algo complementar e não estruturante”, afirma.

Para Sarmento, a falta de preparo dos professores também é um fator relevante. “A educação empreendedora começa no professor. Hoje, muitos não recebem formação específica para trabalhar esse tema. No entanto, quando capacitados, conseguem transformar completamente o ambiente escolar. O Programa Nacional de Educação Empreendedora, do Sebrae, formou quase meio milhão de docentes, mostrando que, com treinamento, o impacto é imediato”, avalia.

Conforme o especialista, políticas públicas e gestão escolar precisam caminhar juntas. “É papel dos gestores inserir o empreendedorismo no Projeto Político-Pedagógico e buscar parcerias. E é dever do poder público criar programas e incentivos para que isso se torne realidade, como o Cidade Empreendedora, que integra o tema de forma consistente nas escolas”.

Bruno Sarmento defende uma visão mais ampla do conceito. “Empreender vai muito além de abrir um CNPJ. É sobre liderar projetos, pensar de forma criativa, resolver problemas e agir com resiliência. Quando mostramos que o empreendedorismo é uma competência para a vida, e não apenas para o negócio, preparamos jovens para serem protagonistas em qualquer área”.

Sarmento afirma que a introdução precoce do tema possibilita impactos significativos no desenvolvimento socioemocional dos estudantes. “Introduzir a educação empreendedora cedo desenvolve habilidades que nenhuma fórmula matemática sozinha ensina: autoconfiança, empatia, capacidade de trabalhar em equipe, resiliência. Isso molda o caráter e prepara o estudante para enfrentar desafios de forma madura e estratégica”.

Resistência cultural

A resistência cultural de algumas famílias também é citada como barreira. “Muitas famílias ainda associam sucesso a profissões tradicionais, e isso é cultural. Para quebrar essa barreira, precisamos mostrar resultados concretos: jovens mais motivados, criativos, com visão de futuro. É preciso incluir os pais no processo, para que percebam que o empreendedorismo não substitui carreiras, mas potencializa qualquer caminho que o filho escolha”.

Na avaliação do especialista, medir o sucesso dessa abordagem exige mais que contar quantos ex-alunos abriram empresas. “O sucesso não se mede apenas em quantos abriram empresas, mas em competências adquiridas: autonomia, criatividade, resolução de problemas, capacidade de liderança. Isso precisa ser avaliado e acompanhado ao longo do tempo, com indicadores claros e objetivos”.

Para escolas com poucos recursos, Sarmento recomenda ação imediata. “Não espere ter a estrutura perfeita para começar. Use metodologias simples, aproveite recursos gratuitos como as formações do Sebrae, traga empreendedores locais para inspirar os alunos, e utilize a tecnologia que já está na mão de todos, o celular. Empreender é, antes de tudo, fazer mais com menos”, conclui.

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Assuntos educação empreendedora, empreendedorismo, Negócios
Cleber Oliveira 18 de agosto de 2025
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