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Política

Disputa pelo 2º lugar deve ser voto a voto

2 de outubro de 2014 Política
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maria aecio
Na terça-feira, a diferença era menor: 2 para 1. Sua vantagem caiu 46%, mas a chance de Marina ainda é o dobro da de Aécio (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO – Em duas semanas, a vantagem relativa de Marina Silva (PSB) sobre Aécio Neves (PSDB) para passar ao 2.º turno presidencial caiu pela metade. Em 15 de setembro, ela tinha 3,8 vezes mais chances do que o tucano. Na terça-feira, a diferença era menor: 2 para 1. Sua vantagem caiu 46%, mas a chance de Marina ainda é o dobro da de Aécio. É o que mostra um modelo estatístico desenvolvido pelo Ibope e pelo Estadão Dados, com base no potencial de voto.

“Se as curvas de intenção de voto dos dois candidatos (Marina e Aécio) continuarem com as tendências recentes, há uma probabilidade de elas se cruzarem em algum ponto no futuro próximo”, diz a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari. Mas não é possível prever se isso acontecerá antes da eleição.

O modelo estatístico desenvolvido pelo Ibope e pelo Estadão Dados simula todas as combinações possíveis de votação de Marina e Aécio, e depois calcula quantas dessas combinações beneficiam um ou outro candidato. Segundo os resultados da pesquisa Ibope divulgada na terça, 67% dessas combinações levariam Marina ao 2.º turno contra Dilma Rousseff (PT), e 33% levariam Aécio. Duas semanas atrás, essa proporção era de 79% a 21%.

As simulações de resultado só se aplicam a Aécio e Marina. As taxas de intenção de voto de Dilma (39%) e dos candidatos nanicos (3%) são dadas pela pesquisa Ibope mais recente, e a taxa de brancos e nulos (10%) pelo histórico de votações para presidente. Logo, a soma das taxas de Marina e Aécio tem que dar obrigatoriamente 48%.

O mínimo e o máximo de votos que Marina e Aécio podem ter são diferentes entre si – ou ambos teriam chances iguais de chegar ao 2.º turno. Pisos e tetos determinam quantas combinações de resultado levariam Marina ou Aécio ao 2.º turno.

Piso

O piso eleitoral é calculado pelo potencial de voto exclusivo de cada candidato. Ou seja, quantos eleitores dizem que votariam com certeza nele e apenas nele. O mínimo de votos para Dilma foi de 33% na mais recente pesquisa Ibope, contra 16% para Aécio e 20% para Marina. Quanto maior o piso, mais chances tem o candidato.

O cálculo do teto eleitoral é mais complexo. Ele se baseia em outro modelo estatístico desenvolvido pelo Ibope e pelo Estadão Dados e divide o eleitorado brasileiro em três grupos: pró-PT, anti-PT e volúvel. A chance de um eleitor antipetista votar em Dilma tende a zero. Já a chance de um pró-PT votar nela é superior a 80%. No eleitorado volúvel há maior equilíbrio.

Os pró-PT chegaram a 39% na mais recente pesquisa Ibope. São aqueles eleitores que se enquadram em pelo menos três das cinco condições seguintes: é beneficiário do Bolsa Família, aprova Dilma, acha seu governo bom ou ótimo, diz ter preferência partidária pelo PT e descarta afirmar que não votaria nela de jeito nenhum.

Os anti-PT não se enquadram em nenhuma dessas características. Eles somam 33% do eleitorado nacional. Os restantes 28% são os volúveis, que responderam positivamente a uma ou duas daquelas questões. Podem votar tanto na petista quanto nos candidatos de oposição.

Funil

O teto de votação é resultado de um funil. No caso de Dilma, são os eleitores dos grupos pró-PT e neutro que não a rejeitam e que dizem que votariam nela com certeza ou poderiam votar. Feitas as contas, Dilma poderia ter, no máximo, 55% dos votos.

Nos casos de Aécio e Marina, o funil que calcula seu teto de votação tem a mesma fórmula. É a soma dos eleitores que pertencem aos grupos volúvel e anti-PT e que não rejeita o candidato (ou a candidata) e que poderia votar ou votaria com certeza nele ou nela. O teto de Aécio chegou a 38%. O de Marina vem caindo a cada nova pesquisa, mais ainda é mais alto: 40%.

A taxa de intenção de votos na candidata do PSB apresentou queda ou oscilação negativa nos últimos cinco levantamentos do Ibope – desde o início de setembro, ela perdeu oito pontos porcentuais, ou um quinto de seu eleitorado.

Nos votos válidos – excluídos os votos nulos, brancos e eleitores indecisos -, a vantagem de Dilma sobre Marina subiu de 10 para 16 pontos em uma semana. Já a distância entre Marina e Aécio caiu de 11 para 7 pontos.

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