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Variedades

Diretor recupera filmagens de sua vida e produz ‘Já Visto Jamais Visto’

27 de setembro de 2015 Variedades
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Já Visto Jamais Visto começou a nascer quando ele entrou em editais do Itaú Cultural e do SPcine para recuperar o material que se deteriorava em sua casa. Com os recursos – reduzidos -, veio uma questão ética, a contrapartida (Foto: Divulgação)

 

SÃO PAULO – Andrea Tonacci mora numa casa acolhedora na Barra Funda. “Havia uma parte deteriorada quando comprei e eu fui assimilando tudo isso aqui”, ele explica para o repórter, referindo-se a uma área muito agradável, cercada numa das laterais por um jardim. O espaço é aberto, convidativo. O resgate pode ser a vocação de Tonacci, que nasceu na Itália e se fez brasileiro sem renegar suas origens. Assim como reconstruiu a casa, ele reconstrói suas memórias. Estreou nesta quinta, 17, num circuito especial da SPcine – Galeria Olido e Centro Cultural São Paulo -, o novo trabalho do diretor, Já Visto Jamais Visto.

É um média, pouco mais de uma hora, que reúne material filmado por Tonacci ao longo dos anos. Esse material estava se deteriorando em latas de filmes, em sua casa. O último longa de Tonacci lançado nos cinemas foi Serras da Desordem, de 2005. Depois disso, ele tentou emplacar uns dois projetos que não foram adiante. Nunca parou de escrever, mas não são roteiros, no sentido tradicional. “Tenho a maior dificuldade”, admite. Ele conta que o cheiro do vinagre “tomou conta disso aqui”, e aponta o espaço ao redor. Abrir as latas foi como uma caixa de Pandora. Ele, sinceramente, não sabia o que esperar.

“O material não estava catalogado e, até quando havia um registro na lata, havia sido encoberto pela ferrugem.” Mas Tonacci sabia mais ou menos de que se tratava. Imagens de projetos que não concluiu, como Últimos Heróis, de 1966, e Paixões, de 1994. Fragmentos de Olho por Olho, de 1965; Blá, Blá Blá, de 68; e Bang-Bang, de 1971, que foram esculpindo uma obra importante no cinema chamado marginal. Havia todos esses registros, e também outros. Imagens dos pais de Tonacci, e do filho. Boa parte desse material não foi feita para ser exibida, e por isso ele se admira de que Já Visto Jamais Visto esteja sendo lançado. Não que isso ocorra à sua revelia. Tonacci até promete acompanhar as apresentações, encontrando-se com o público.

Já Visto Jamais Visto começou a nascer quando ele entrou em editais do Itaú Cultural e do SPcine para recuperar o material que se deteriorava em sua casa. Com os recursos – reduzidos -, veio uma questão ética, a contrapartida. Recuperadas as imagens, que uso fazer delas? São imagens que contemplam três gerações da família Tonacci. “Não foi um material captado racionalmente, mas eu tentei fazer uma montagem. Inicialmente, não dava liga. Eram coisas muito díspares.” De tanto brincar de estabelecer ligações o puzzle começou a funcionar. Mas Tonacci esclarece. “Não sou eu que dou um sentido ao material. É ele que me dá sentido.”

No processo de recuperar esses fragmentos (de memória?), Tonacci teve uma cúmplice – sua parceira na arte e na vida, a montadora Cristina Amaral. Ela conhecia, de ouvir falar, algumas daquelas imagens e pessoas – as mais recentes foram captadas há mais de 20 anos. Cristina viajou nas imagens, fez ligações que também não eram racionais, mas emotivas. “A Cristininha sempre me surpreende”, diz Tonacci. Ela se torna tímida, ao lado do autor cultuado. Tonacci gosta de se resguardar, aparecendo menos que os filmes – o foco tem de estar neles -, mas é personagem em Já Visto Jamais Visto. Aparece em imagens captadas na Itália e no interior de Minas.

Em alguns desses fragmentos, vestido como militar – queria ter a sensação que o uniforme produz, “se é que produz alguma” -, ele está quantos? 30 anos mais jovem. Embora fale em irracionalidade e no material que lhe dá sentido – mais que ele ao material -, há um fecho muito interessante em Já Visto Jamais Visto. Toda a discussão sobre o filme passa por aí. O próprio Tonacci lê um texto sobre a arte de contar histórias e escrever roteiros. Não estamos falando de histórias nem roteiros industriais, mas de experiências viscerais, de vida. O texto, em italiano, é de Alberto Moravia, que, além dos romances, muitos filmados, escreveu sobre e para o cinema. São reflexões que calaram fundo no jovem Tonacci e permanecem com ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Amazonas Atual, cinema, cultura, memória, patrimônio
Valmir Lima 27 de setembro de 2015
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