
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – A operação deflagrada nesta terça-feira (28) pela polícia do Rio de Janeiro contra o crime organizado que mirou o Comando Vermelho, revelou-se um desastre, a mais letal da história do Estado. Diante do caos gerado por uma polícia ineficiente e corrupta, a direita e a extrema direita querem jogar a culpa no colo de Lula e do governo federal.
A mobilização nas redes sociais para tentar culpar o governo Lula começou cedo, desde que o governador do Rio, Claudio Castro, afirmou em entrevista coletiva que solicitou blindados do Exército por três vezes e que os pedidos foram negados.
Castro teve o pudor de dizer que para a operação desta terça-feira não houve pedido de ajuda federal. Mas cobrou participação conjunta do governo federal e estadual no combate ao crime organizado e a consequente retomada das áreas comandadas pelo crime.
Mas a fala de Claudio Castro é reveladora: a oposição quer aproveitar a matança (foram 60 civis e 4 policiais mortos) para tentar faturar politicamente, de olho na disputa eleitoral de 2026.
O crime organizado, que inclui as milícias e o tráfico de drogas, cresceu e se espalhou pelos quatro cantos do Brasil apoiado por uma polícia corrupta, com tentáculos no Judiciário, no empresariado e na própria política.
Nas eleições de 2024, em Manaus, por exemplo, candidatos eram impedidos de fazer campanha em determinadas comunidades dominadas por facções criminosas. Nesses ambientes só eram admitidas campanhas de candidatos “amigos” dos “manos”.
No Rio de Janeiro esse alinhamento da política com as organizações criminosas é bem mais antigo. Só entra em determinados redutos aqueles que colaboram com o tráfico ou com a milícia.
Não são poucos os casos de policiais infiltrados nas organizações criminosas, não para arrancar informações contra elas, mas para colaborar. Assim como não é novidade os casos em que policiais são presos por extorsão aos criminosos ligados ao tráfico de drogas. A extorsão, inclusive, é uma prática comum e muito conhecida pela população e pelos comandos das forças de segurança.
Os serviços de inteligência da polícia esbarram no vazamento de informações pelos próprios policiais corruptos que trabalham para o tráfico, levando os criminosos a se preparar para o enfrentamento das forças de segurança.
Nestas circunstâncias, não há como combater o crime organizado, que está cada vez mais organizado e bem armado.
Ao governo do Rio de Janeiro não interessa a união das forças de segurança estadual, municipal e federal. A operação desta terça foi usada como palanque político.
Cláudio Castro sabe que boa parte da população vai aplaudir a matança, porque a maioria dos mortos vai ser “classificada” como integrante do crime organizado.
O discurso “bandido bom é bandido morto” ainda funciona muito bem como mote eleitoral. Portanto, a matança desta terça pode render bons votos em 2026. E a mobilização já começou nas redes sociais.

