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Dia a Dia

Desmatamento na Amazônia gera aumento de gases do efeito estufa

1 de novembro de 2022 Dia a Dia
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Queimadas na Amazônia
Queimadas ligadas ao desmatamento geram aumento na emissão de gases do efeito estufa (Foto: Chico Batata/Greenpeace)
Por Phillippe Watanabe, da Folhapress

SÃO PAULO – Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil aumentou suas emissões de gases-estufa graças, especialmente, ao aumento significativo no desmatamento da Amazônia – algo que tem sido constante no governo Jair Bolsonaro (PL). Pesaram na conta também o aumento de emissões associados à energia e a agropecuária. Em relação a 2020, o país teve em 2021 um aumento de cerca de 12% nos gases-estufa emitidos, o terceiro maior crescimento já registrado.

Os dados do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima) foram divulgados nesta terça-feira (1º).

Saltos maiores de emissões só tinham ocorrido em 1995 (cerca de 13,5%) e em 2003 (cerca de 20,7%), ambos anos nos quais o Brasil tinha mais de 20 mil km² de desmatamento.

A derrubada de floresta na Amazônia é a maior fonte brasileira de emissões. Segundo os novos dados do Seeg, cerca de 49% das emissões nacionais em 2021 estavam associadas à mudança de uso da terra e floresta -o que pode ser lido como desmatamento. Em 2020, o desmate representava 46% das emissões.

O Seeg aponta que o desmatamento, na Amazônia especialmente, jogou aos ares 1,1 bilhão de toneladas de CO2e (leia CO2 equivalente, ou seja, uma espécie de “soma” de todos os gases-estufa). Se quiser ser mais específico, foram emitidos 1.188.188.576 toneladas de CO2e. Em linhas gerais, as árvores são reservas de carbono. Dessa forma, ao serem derrubadas, o carbono é liberado.

Em 2021 (na verdade, de agosto de 2020 a julho de 2021), segundo dados do Prodes, programa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram derrubados mais de 13 mil km² de Amazônia, um salto de 22% em relação ao ano anterior.

Os dados do Seeg mostram também aumentos nas emissões de gases associados ao desmatamento da mata atlântica e do cerrado.

E ainda há um outro fator agravante do quadro. Emissões associadas a queimadas – que são produzidas pelo homem na Amazônia – não são contabilizadas pelo Brasil em seu inventário nacional de gases-estufa. Se fossem contabilizadas, calcula o Seeg, representariam um considerável aumento de 8% nas emissões.

Ao todo, em 2021, o Brasil lançou na atmosfera 2,4 bilhões de toneladas de CO2e. Em 2020, foram 2.160.065.007 toneladas.

A agropecuária aparece como a segunda maior fonte de emissões nacionais, representando 25% dos gases-estufa emitidos – o equivalente a mais de 600 milhões de toneladas de CO2e- e também com crescimento em relação ao ano anterior. Foi o maior nível de emissões do setor na série histórica, segundo o Seeg, cerca de 600 milhões de toneladas de CO2e, o que pode ser explicado especialmente pelo grande aumento do rebanho no país.

Os gases-estufa da agropecuária estão ligados, principalmente, ao processo de digestão dos bovinos que produz metano, um potente gás do aquecimento global.

Em seguida, vem da área de energia, com 18% das emissões (mais de 434 milhões de toneladas de CO2e). O Seeg aponta uma alta significativa de emissões desse setor, o que estaria associado a uma retomada econômica após o primeiro ano de pandemia – também houve um crescimento de emissões no setor industrial – e também à crise hídrica que afetou a geração de energia hidrelétrica. Com a seca, foi necessário o acionamento de usinas termelétricas – algo que foi continuado pelo governo –, que geram mais emissões.

Um aumento no preço do etanol, devido à queda na safra de cana, também teria aumentado a participação de outros combustíveis mais poluentes nos modais de transporte.

E por que tudo isso é importante?

A resposta mais direta é a crise climática. Os países têm feito esforços e acordos – ainda insuficientes – para tentar frear a emissão de gases-estufa e, com isso, ao menos minimizar os extremos climáticos que já estão ocorrendo.

O Brasil tem o compromisso internacional a partir do Acordo de Paris para reduzir suas emissões e, em 2050, ser carbono neutro (ou seja, de forma geral, ter emissões e sequestro de carbono em paridade).

Para 2030, o país tem de cortar em 50% as emissões em relação a 2005, um compromisso que foi assumido recentemente pelo governo Jair Bolsonaro (PL) – antes, na assinatura do Acordo de Paris, o corte acordado era de 43%. Parece um valor de corte elevado e um aumento de ambição, mas, na verdade, trata-se de uma “pedalada climática”. O governo atualizou e aumentou os dados da base de comparação (o ano de 2005).

Dessa forma, mesmo com o pequeno aumento percentual de corte, o Brasil chegaria em 2030 emitindo mais do que havia se comprometido na assinatura do Acordo de Paris. A nova meta climática brasileira de Bolsonaro, que regride no compromisso anterior, foi apontada por um relatório recente do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) que analisa as metas internacionais de redução de emissões.

Além do Brasil, o México também apresentou uma meta atualizada que resulta em aumento das emissões em relação à proposta inicial de redução de gases-estufa.

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