

Por Iolanda Ventura, do ATUAL
MANAUS – A disputa dos candidatos do Amazonas que buscam permanecer na Câmara dos Deputados tem dois veteranos, cinco tentando à reeleição pela primeira vez e um desistente. A bancada amazonense de deputados federais é formada por Átila Lins, Bosco Saraiva, Capitão Alberto Neto, Delegado Pablo, José Ricardo, Marcelo Ramos, Sidney Leite e Silas Câmara.
Átila Lins (PSD) e Silas Câmara (Republicanos) são os mais antigos no cargo. Átila está em Brasília desde 1991 e disputa o nono mandato. Silas ocupa a posição desde 1999 e tenta a reeleição pela sétima vez. Os mandatos de ambos são sucessivos.
Capitão Alberto Neto (PL), Delegado Pablo (União Brasil), José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (PSD) e Sidney Leite (PSD) buscam o segundo mandato como deputados federais. Todos empossados em 2019, agora querem continuar até 2026. José Ricardo, Marcelo Ramos e Sidney Leite já ocuparam outros cargos eletivos. Para Alberto Neto e Pablo Oliva essa foi a estreia na carreira política.
Bosco Saraiva (Solidariedade) é o único que não disputará a reeleição. Este ano concorre a deputado estadual.
As estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que são 173 candidaturas deferidas para as oito cadeiras do Amazonas na Câmara. A proporção é de 22 candidatos por vaga. Há representantes de 25 partidos.
Permanece ou não?

Francinézio Amaral, sociólogo e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFPA (Universidade Federal do Pará), afirma que o que define se um candidato concorrerá à reeleição ou tentará outro cargo é o momento eleitoral. A decisão envolve os interesses do partido.
“Quando um candidato consegue um mandato ele entra numa estratégia em que a primeira e mais importante missão é manter aquele mandato. Isso é importante por vários motivos não só internamente do partido, mas pela própria correlação de forças dentro das Câmaras, seja municipal, federal ou distrital”, explicou.
O sociólogo explica que disputar outro cargo ao final do mandato e correr o risco de perdê-lo motiva parlamentares a tentarem se reeleger.
“Normalmente, quando um parlamentar tenta um outro cargo é quando a eleição está no meio do mandato dele. Porque ele pode tentar concorrer a um outro, mas se não se eleger, ele volta para o cargo que estava”, disse.
Amaral pontua que a desistência de permanecer em um cargo pode ocorrer quando o parlamentar não consegue expandir a base eleitoral durante o mandato. “Às vezes tem outras situações também, de repente o parlamentar não está muito fortalecido politicamente dentro do partido e às vezes o partido diz ‘olha, nossos nomes prioritários para deputado federal são esses e se você quiser continuar concorrendo vai como estadual'”, acrescentou.
A cientista política Liege Albuquerque, com mestrado em Ciências Políticas pela USP (Universidade de São Paulo), corrobora o pensamento.
“Normalmente é uma escolha pessoal, seja porque considera que ainda não cumpriu o que ele próprio ou seu reduto eleitoral almejava, ou porque se sente seguro e confortável na função. Também, é claro, há escolhas partidárias e o candidato precisa aceitar ou perde a legenda”, pontuou.
Falta de equilíbrio

Liege Albuquerque considera que não há equilíbrio na bancada amazonense e que a maior parte é a favor e de partidos de apoio ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
“Nitidamente a maioria da bancada atual tendeu a apoiar mais o governo federal do que os interesses do Estado, especialmente no imbróglio sobre as reduções de incentivos à Zona Franca de Manaus”, disse.
Amaral também considera não haver harmonia na bancada e considera que há concentração de representantes alinhados com ideais de direita. “Isso é péssimo para a democracia, porque você não tem equilíbrio, a correlação de forças está desigual. São sete contra um”, pontuou. Para o especialista, José Ricardo é o único que se enquadra como progressista.
