
EDITORIAL
MANAUS – Desde os primeiros dias de novembro de 2022, os golpistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), literalmente cagam e mijam em frente aos quartéis das Forças Armadas do Brasil, testando o poder de reação das autoridades brasileiras.
Nada foi feito para contê-los, pelo contrário, encontraram apoio velado e explícito de praças a oficiais. Os comandantes das Forças Armadas fingiram que não havia qualquer problema acontecendo no país.
No dia 10 de dezembro, os golpistas ensaiaram em Brasília o que de fato queriam fazer e fizeram neste domingo. Naquela ocasião realizaram manifestação contra a diplomação e, dois dias depois, tentaram invadir a sede da Polícia Federal, depredaram prédios vizinhos e atearam fogo em ônibus e carros.
Nada foi feito além da ação solitária do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão de pessoas responsáveis pelos atos de vandalismo. No dia da prática dos crimes, ninguém foi preso.
Todos sabem que há empresários e políticos por trás dos atos de vandalismo, inclusive financiando esses atos e os acampamentos montados em frente aos quartéis do Exército, da Marinha e da Aeronáutica Brasil afora. Contra esses também nada foi feito.
Anunciados por Lula semanas antes da posse, os ministros da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e da Defesa, José Múcio Monteiro, passaram a divergir das medidas que deveriam ser adotadas para acabar com os acampamentos em frente aos quartéis. Múcio Monteiro queria dialogar, enquanto Dino defendia ação mais dura para acabar com a patifaria bolsonarista.
Somou-se às cabeçadas dos ministros de Lula a decisão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que nomeou para secretário de Segurança Pública do DF o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro, Anderson Torres, o mesmo que botou panos quentes nos atos criminosos à sede da PF em Brasília dias antes.
Nas redes sociais imagens feitas pelos golpistas mostravam um discurso de que as Forças Armadas estavam apoiando os acampamentos. Esse discurso não foi desmentido por qualquer autoridade de segurança pública.
Diante do suposto apoio das forças de segurança e da polícia do Distrito Federal sob o comando de um Bolsonarista – a polícia que é a responsável primeira pela segurança de Brasília –, os golpista ganharam coragem para praticar os crimes neste domingo contra as instituições brasileiras.
Mas nada foi feito às escondidas. A manifestação deste domingo em Brasília foi amplamente divulgada nas redes sociais. Os ônibus com os golpistas começaram a chegar na noite de sábado, e mesmo assim, nenhuma autoridade se mobilizou.
O secretário de Segurança Pública do DF viajou para os Estados Unidos (dizem que foi se encontrar com o ex-chefe Jair Bolsonaro). O cenário estava perfeito para a invasão.
E assim se fez: invasão com depredação ao prédio Congresso Nacional; invasão com depredação ao Palácio do Planalto; invasão com depredação ao prédio Supremo Tribunal Federal.
Nada se fez. Os golpistas, vândalos e criminosos fizeram o que bem entenderam dentro e fora das sedes dos três poderes. Nenhuma força de segurança apareceu para retirar os criminosos dos prédios nas primeiras três horas. A maioria saiu quando bem entendeu.
A pergunta que precisa de resposta é: Essa gente vai continuar cagando e mijando em frente aos quartéis das Forças Armadas brasileiras?

